segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O novo nacionalismo de recursos

A busca por armamento militar empreendida neste momento na América do Sul – notadamente por Venezuela e Brasil – aos poucos vai sendo explicada. Interessante a reportagem publicada na edição deste domingo do jornal O Globo que relaciona as reservas de pré-sal às diretrizes de defesa brasileira.

E o caminho para entender a questão parece ser por aí mesmo. Uma pequena faixa do pré-sal fica além do que as convenções internacionais determinam ser parte das águas territoriais do Brasil. O fato configuraria uma brecha para qualquer país explorar esta parte das reservas.

E este é um problema principalmente quando que se torna claro que os embates internacionais têm como alvo os recursos – cada vez mais escassos e cada vez mais necessários para abastecer economias com populações que precisam consumir.

Não acredito, entretanto, no estereótipo do imperialismo. Pelo menos não nos dias de hoje. Não creio que qualquer país desenvolvido irá despachar um porta-aviões para os mares do sul de forma a explorar o pré-sal na marra.

Acho que o interesse nas reservas brasileiras vai se manifestar pela tangente. Na medida em que não se pode atingir o pré-sal de forma limpa, não duvido que o movimento ambientalista possa ser usado para contestar a legitimidade da extração.

E talvez por isso o Brasil tenha corrido tanto para fechar a compra de equipamentos militares franceses, não de aviões americanos. E não apenas isso: ficaria mais claro também que o governo Lula acreditaria que a ameaça viria dos Estados Unidos. Até porque Brasília já manifestara preocupação com a reativação, no ano passado, da Quarta Frota da Marinha americana para patrulhar a costa do Caribe e das Américas Central e do Sul.

A doutrina que tem marcado as decisões de Brasil e Venezuela é chamada por Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque, de “nacionalismo de recursos”. E ela explica em parte o que tem acontecido por aqui. O valor das descobertas brasileira – pré-sal – e venezuelana – a descoberta, na última sexta-feira, do maior reservatório de gás do país – está na percepção das fontes energéticas num mundo às vésperas do esgotamento de petróleo.

Por isso, ambos os países estão em marcha acelerada para nacionalizar os recursos. O pré-sal brasileiro e o gás venezuelano estão em outro patamar econômico; eles não foram descobertos somente para serem explorados, mas também são percebidos como patrimônio dos dois países. Da mesma maneira que Rússia e México usam o petróleo de forma estratégica, Venezuela e Brasil estão dispostos a agir da mesma maneira com o que têm.

O estudo de caso também mostra uma nova abordagem da velha visão global dos países em desenvolvimento como provedores de recursos. No século 21, os erros do passado servem como lição. Somente através de alianças, vantagens econômicas e acesso aos mercados do primeiro mundo, as potências poderão negociar a compra – mas nunca a posse – das fontes energéticas. É isso o que Caracas e Brasília querem deixar claro a partir de agora.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11/9 oito anos depois

Há oito anos, o mundo mudou completamente. Em meio à letargia do pós-guerra fria, os atentados cometidos contra as Torres Gêmeas e o Pentágono sacudiram a humanidade ao recriar um eixo de oposição entre Ocidente e Oriente que se imaginava empoeirado no velho e distante passado dos tempos das cruzadas. Dessa vez, no entanto, a luta não teve a princípio um caráter expansionista, mas ideológico.

Quando se acreditava que o início do novo século anunciava o fim da história, foram os aviões lançados contra dois dos mais importantes símbolos (um econômico e outro militar) da maior potência planetária que lembraram que havia uma dissonância disciplinada e raivosa presente na metade de lá do mundo.

Olhando por este aspecto, o terrorismo sim conseguiu emplacar uma grande vitória. À força e usando métodos absolutamente condenáveis, conseguiu impor seu paradigma. Hoje, boa parte da população ocidental conhece, foi afetada ou ao menos ouviu falar do fundamentalismo islâmico.

Mesmo após duas guerras em seguida ao 11 de Setembro – Iraque e Afeganistão –, ainda está longe a resposta sobre se a principal organização articuladora dos ataques está para ser derrotada. Seu líder nunca foi encontrado. Muito embora editorial de hoje do britânico The Guardian defenda a tese de que o movimento está enfraquecido por conta dos sucessivos abalos à sua infraestrutura (“a habilidade de realizar operações na Europa e nos EUA foi reduzida através de ações de inteligência e medidas como o rastreamento de sua comunicação”), creio que seja quase impossível aferir com dados concretos uma possível decadência da al-Qaeda.

A ideologia de destruição, fundamentalismo e enfrentamento ao Ocidente do grupo terrorista conseguiu se promover ao status de primeiro escalão global. Jarret Brachman, professor de estudos de segurança da Universidade da Dakota do Norte, nos EUA, lança inclusive a bola sobre a sucessão hierárquica de Osama Bin Laden. E de uma forma ainda mais poderosa, uma vez que o “herdeiro” seria um jovem com conhecimentos dos meios de comunicação atuais – foi inclusive webmaster de um site do Talibã (!) –, o líbio Abu Yahya.

Partilho da visão de Brachman para analisar esses oito anos de conflito entre as potências ocidentais – lideradas pelos Estados Unidos – e a al-Qaeda. Acho que resume bem a imprevisibilidade que envolve a questão:

“Se estiver perguntando se os EUA derrotaram a al-Qaeda, é preciso questionar também: de qual al-Qaeda estamos falando? Dos líderes que operam em alguma área tribal de Paquistão e Afeganistão? Da ‘franquia’ que atua no mundo, notadamente em Iraque, Argélia e Iêmen? Ou da ideologia global que se autodenomina como al-Qaeda, mas que não é filiada ao grupo? Ao analisar as possibilidades de vitória, é preciso se perguntar também se vencer significa acabar com a organização ou apenas debilitá-la. Refere-se à destruição de toda a capacidade militar da al-Qaeda ou atenuar sua capacidade de conquistar corações e mentes ao redor do planeta”, escreve em artigo publicado na revista Foreign Policy.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O projeto internacional venezuelano

Há muito tempo a América do Sul não estava nas manchetes internacionais por conta de assuntos militares. Se a Colômbia virou notícia depois de autorizar o uso de bases por forças americanas, Argentina e Brasil decidiram ir às compras e a Venezuela a cada dia deixa mais claro seus objetivos regionais.

E, à exceção da Colômbia, os processos de concorrência e fechamento de contratos de Brasil e Argentina acabaram se internalizando. Ou seja, depois de ganharem certa repercussão internacional, a reformulação tecnológica na área militar dos dois países se tornou tema de debate interno. O mesmo não se aplica à Venezuela. Primeiro, porque Chávez consegue criar polêmica. Segundo, porque as ambições estratégicas do presidente venezuelano extrapolam fronteiras e pisam no calo de quem realmente importa: os Estados Unidos.

Chávez está em tour por diversos países e promete lançar provocações aos EUA em cada uma das visitas. No Irã, mais uma vez defendeu o projeto nuclear de Ahmadinejad e Khamenei e, pra completar, declarou abertamente que irá fornecer a Teerã 20 mil barris de gasolina todos os dias.

Trata-se de um embate quase direto com os EUA e União Europeia, que pretendiam bloquear a exportação do produto ao país asiático como forma de pressionar pela interrupção de seu programa nuclear. Chávez acaba de minar a plenitude desta medida.

Na Rússia, foi ainda mais longe. Ao se encontrar com o presidente Dmitri Medvedev, declarou oficialmente que a Venezuela passa a reconhecer a independência de Abkházia e Ossétia do Sul, regiões que integram a Geórgia cujas independências levaram à guerra entre Moscou e Tbilisi em agosto do ano passado. Para se ter a exata noção do ineditismo da decisão de Chávez, até hoje, além da própria Rússia, somente a Nicarágua havia reconhecido a soberania das duas regiões.

Enquanto no Brasil há gente demais opinando em política externa dentro do próprio governo, na Venezuela ocorre o oposto. Chávez é teórico e articulador das ações internacionais do país. A simplicidade da teoria, no entanto, é fácil de ser percebida. Em Caracas, a diretriz determina que qualquer oposição aos Estados Unidos é digna de apoio, mesmo que as relações sejam travadas com uma multiplicidade de atores como Rússia, Síria, Irã, Bielo-Rússia, Líbia, Argélia, dentre outros.

Ao que me conste, nenhum dos Estados listados acima partilha do Socialismo do Século 21 de Chávez.

Seja como for, Caracas pretende liderar um eixo internacional antiamericano. Se o projeto funcionar – com compra de armamento russo em curso, por exemplo – vai ser a primeira vez, desde a Crise dos Mísseis de 1962, que os Estados Unidos serão desafiados institucionalmente tão de perto.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quem responde pela política externa brasileira?

Ainda sobre a parceria da França com o Brasil, há indícios de que a negociação para a compra de equipamento militar não está fechada, como foi divulgado pelo governo na segunda-feira. Agora se inicia uma inversão de ordem provocada pela ansiedade de dar uma notícia positiva a Sarkozy enquanto ele esteve por aqui. Um erro básico que compromete todo o processo.

Parlamentares questionam a transação e há inclusive dúvidas sobre as razões que justificariam tanta pressa na escolha dos caças franceses. Hoje pela manhã recebi em meu email uma mensagem oficial da embaixada americana em Brasília informando que os Estados Unidos não se negaram a transferir tecnologia militar para o Brasil – o principal argumento a favor da opção pelo equipamento francês.

O fato vai ser responsável por ocupar a imprensa brasileira no mínimo durante esta semana. Acredito, no entanto, que o post publicado ontem por aqui possa explicar os motivos que levaram Lula a noticiar a vitória da empresa francesa na licitação promovida pelo governo brasileiro.

A alta cúpula de política externa em Brasília fechou com a França. A parceria entre os países é vista como estratégica e, sob esta ótica, assinar um contrato caro e importante envolvendo a compra de caças, submarinos e helicópteros é parte de um quadro maior e cujos benefícios a ambos os países serão colhidos a longo prazo.

É o caminho que o Brasil escolheu. O problema é que há regras a serem seguidas. O poder executivo precisaria consultar os parlamentares, abrir o contrato e justificar sem meias-palavras a opção tomada. Até porque o embaraço agora é ainda maior. Voltar atrás é patético e mostra uma enorme desorganização burocrática.

Não é a primeira vez, no entanto, que a política externa nacional se mete em trapalhadas. Tudo porque muita gente se sente no direito de opinar e – pior – dar declarações públicas. Fica a pergunta: se o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entram em choque sobre este assunto, quem é o responsável por manifestar a real posição brasileira?

Uma das explicações para isso acontecer com certa frequência – na guerra entre Israel e o Hamas, no início do ano, não faltaram palpiteiros oficiais em Brasília, por exemplo – é justamente o glamour em torno da área internacional. Dá para escalar um time de futebol de salão listando os que costumam se pronunciar oficial e extraoficialmente sobre a política externa brasileira: além do presidente Lula, é claro, Nelson Jobim; Celso Amorim; o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia; o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini; e até o secretário de Relações Internacionais do partido, Valter Pomar.

Qual deles vai responder pela confusão atual? Ou todos vão agir como sempre e sair falando o que bem entendem por aí?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Por que França e Brasil decidiram se unir

A visita de Nicolas Sarkozy ao Brasil é repleta de significados. Não apenas pela transação militar que conseguiu emplacar por aqui. Mas, principalmente, porque evidencia uma visão estratégica nova e à frente de outros países. A França parece ter compreendido que o mundo mudou e, com isso, os parâmetros que regem a diretriz de política externa de Paris.


O que me chamou bastante atenção foi a entrevista concedida pelo presidente francês ao jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicada no domingo. Dentre as muitas declarações em que exalta o Brasil – é claro, há um tanto de confete no que diz –, fica registrada a intenção de mudança de organismos multilaterais um tanto ultrapassados.


O mais arcaico e poderoso é o G-8, criado no século passado por potências do século passado e baseado em parâmetros de poder do século passado. Sarkozy se antecipa à falência declarada do grupo e mostra ter decidido pular fora do barco antes que ele naufrague de vez. O presidente francês propõe ampliá-lo no mínimo em seis países – com o Brasil incluído, claro.


E este foi o pulo-do-gato da parceria que se torna a cada dia mais concreta entre Paris e Brasília. Ambos sabem que é preciso enxergar a nova ordem mundial (no caso da aproximação com uma potência emergente como o Brasil), mas sem abrir mão do poder conquistado até aqui (sob a ótica brasileira, é importante ter a França como um aliado estratégico, já que ela é reconhecida como tal pelos demais países que ainda mantêm o status quo internacional e pode inclusive participar da viabilização de um assento permanente ao Brasil no Conselho de Segurança da ONU, o grande sonho de consumo da política externa brasileira).


O governo francês vem se encaixando como pode nesta característica de parceria, alianças e participação em diversas questões internacionais. Não é à toa que, após ter se destacado no estancamento da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza no início deste ano, decidiu retornar à OTAN após 43 anos de afastamento. Associar-se a um país que se configura como potência de acordo com os novos moldes internacionais é parte de uma estratégia maior.


Num mundo onde valores como supremacia bélica e corrida armamentista dão lugar aos poucos às variáveis econômicas, a França parece ter escolhido o Brasil como parceiro. Vale lembrar que, dentre os membros dos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil parece ser o único que apresenta características mais próximas à França – um Estado laico democrático e ocidental. Não é à toa que Sarkozy esteve por aqui. Vender helicópteros e aviões me parece ser apenas a ponta do iceberg.


Vale lembrar que a próxima reunião do G20 acontece já a partir do próximo sábado, dia 12 de setembro. Este fórum sim é importante. É lá que o novo e o velho mundo vão se encontrar para decidir sobre as questões deste século que vivemos: economia, clima, consumo dos recursos disponíveis e aumento populacional.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Armênia e Turquia adotam o pragmatismo como solução

Como a semana começou com a discussão sobre o uso da história em benefício de decisões políticas, decidi escrever sobre o mais recente exemplo de que, às vezes, a retomada de estudos do passado pode servir como ponte para o processo de pacificação atual. É exatamente isso o que deve ocorrer entre Turquia e Armênia, dois países que não mantêm relações de qualquer natureza.

Isso pode mudar em breve, uma vez que os dois lados devem anunciar o estabelecimento de bases para o diálogo em 14 de outubro, quando turcos e armênios disputarão uma partida das eliminatórias da Copa do Mundo de futebol.

O grande impasse entre os países decorre de uma enorme discordância sobre a interpretação do massacre de 1,5 milhão de armênios por forças do Império Otomano, em 1915. A Turquia discorda em vários aspectos: de que seja responsável pelo genocídio, uma vez que o Estado nacional turco ainda não existia, e, principalmente, do uso dos termos “massacre” ou “genocídio”.

Independentemente do que a Turquia pensa sobre o assunto, o fato é que houve a deportação e o assassinato em massa de 1,5 milhão de Armênios. Este é o ponto que me parece mais importante, não conceitos sobre quais palavras devem ou não ser usadas.

Seja como for, levando-se em consideração que seria difícil convencer os turcos a abrirem mão de sua posição histórica – além do mais, o assunto é até hoje um tabu na Turquia – as partes chegaram a um acordo que mostra bem como o bom-senso pode ser usado para desarmar espíritos e, mais importante, seguir adiante na normalização das relações: uma comissão de historiadores e especialistas armênios, turcos e de outros países será formada para estudar a documentação sobre o assunto e promover o diálogo mútuo.

É óbvio que nenhuma das partes iria abrir mão de suas posições. Até porque, se o fizessem, perderiam legitimidade interna para assinar qualquer acordo. A solução encontrada é a mais simples e também a única existente. Tocar discursos, conceitos e prática ao mesmo tempo.

Simultaneamente a tudo isso, é fundamental que Armênia e Turquia mantenham relações porque serve economicamente a ambos. As relações internacionais obedecem a fatores talvez até mais pragmáticos do que a vida pessoal de cada um. Retomar o diálogo serve a interesses que beneficiam os países num mundo cada vez mais integrado. E, neste caso, como a Turquia é o estado mais desenvolvido economicamente, é Ancara que manifesta maiores ambições regionais, como explica à revista Time o analista Hugh Pope, do International Crisis Group, de Bruxelas:

“Se bem sucedidos, os diálogos podem retomar o prestígio do país e de sua capacidade de reforma doméstica, como um pacificador regional e também de estar realmente empenhado no processo de ingresso como membro da União Europeia”, diz.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Baradei permite que Irã não negocie com o Ocidente

O secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed El Baradei, está de saída do cargo. Em seu lugar, ficará o japonês Yukiya Amano, que assumirá o posto em novembro. Baradei deixará de presente ao sucessor a crise nuclear envolvendo o programa de enriquecimento de urânio iraniano. As declarações um tanto irresponsáveis desta semana sobre os objetivos inconclusivos de Teerã não poderiam ter sido divulgadas em pior hora.

Como escrevi no texto de ontem, está chegando ao fim o prazo estabelecido por Obama para aguardar uma resposta do Irã. Se não mudar de ideia e decidir manter o que vem dizendo desde o início do mandato, setembro é a data-limite antes de os EUA aplicarem sanções.

Mas o governo iraniano chegou mesmo a anunciar planos de uma contraproposta à exigência ocidental de interrupção do enriquecimento iraniano. Mas isso foi antes de Baradei ir a público anunciar que não haveria provas sobre os objetivos militares envolvendo o programa nuclear de Ahmadinejad e do líder supremo da revolução, o aiatolá Ali Khamenei.

Simplesmente, Baradei conseguiu reverter a disponibilidade de negociar de um dos mais complicados atores internacionais do momento. Ora, por que o Irã haveria de se sentar à mesa se a partir de agora conta com a complacência da principal agência reguladora internacional?

Não consigo acreditar num erro tão infantil. Ou, simplesmente, na falta de visão sobre as consequências de declarações tão sérias. A esperança que resta agora é a Assembleia-geral da ONU, marcada para o próximo dia 16. É lá que os EUA esperam anunciar a retomada das negociações entre israelenses e palestinos, que Kadafi pretende se pronunciar sobre suas reais intenções e quando, mais uma vez, Ahmadinejad deve usar o palanque e a atenção internacional para divulgar seus planos pacíficos de varrer Israel do mapa e de negar o Holocausto.

Aliás, o analista político iraniano Meir Javedanfar explica que as ambições regionais do governo de Teerã podem em parte explicar sua falta de disposição de dialogar com o ocidente:

“(Ali) Khamenei pode temer que um acordo seria responsável por erodir suas esferas de influência no Oriente Médio. O Irã teria de reduzir o apoio a grupos assimétricos como Hamas e Hezbolah, e também a organizações xiitas no Iraque, bem como a grupos de língua persa no Afeganistão. Com a instabilidade crescente em casa, o Irã precisa mais ser influente em Afeganistão, Líbano e Iraque do que manter boas relações com os EUA. Essas influências dão a Teerã ‘pilares’ de poder”, escreve em artigo publicado no site Real Clear World.