Já escrevi muitas vezes sobre o confronto entre o Ocidente e o programa nuclear iraniano. Aliás, fazendo um mea-culpa, acho que abordei o assunto mais do que deveria. Mas agora, com o anúncio oficial de Ahmadinejad de que de fato não pretende abrir mão das pretensões atômicas, novamente o Irã volta às manchetes. Desta vez, no entanto, a ficha parece ter caído: não há oferta capaz de convencer Teerã a voltar atrás. E alguém realmente acreditava que isso não aconteceria?
Confesso que tenho lido as notícias sem qualquer surpresa. Não por ter bola de cristal ou me julgar genial. Longe disso. Mas estava tudo muito claro desde que as conversações começaram há sete anos. Ninguém vai ceder. E quando falo isso não me refiro apenas ao Irã, a parte pressionada a abrir mão da busca por energia atômica. Tampouco me parece provável que EUA e Europa – mais os primeiros que o segundo, pra falar a verdade – abdiquem de suas posições sobre a importância de evitar que Teerã obtenha acesso a material nuclear que lhe permita a produção de armas atômicas.
Não há ingênuos no comando das grandes decisões políticas internacionais. Obama, Sarkozy, Tony Blair, Hillary Clinton e muitos outros sempre souberam das dificuldades de dobrar os iranianos. E este é o ponto principal. Acima de qualquer análise fria sobre o assunto, há uma enorme vontade de se fazer história. Ou melhor, de entrar para a história. O Irã é, neste século, uma linda mulher cheia de personalidade a ser conquistada. Ou um poderoso oponente a ser batido. Escolham a metáfora mais agradável, mas o fato é que todos esses líderes sonharam com a possibilidade de passar para a eternidade como aquele a conseguir levar o governo da República Islâmica à mesa de negociações.
Não haveria glória política maior neste início de século. Talvez encontrar Osama bin Laden fosse vitória semelhante. Mas obter um acordo pacífico com o Irã seria uma conquista política inigualável. E nenhum dos nomes citados conseguiu. Nem haveria possibilidade, sejamos pragmáticos. A explicação dos motivos já foi dada em tantos textos anteriores, mas, para resumir, fico com as palavras de Meir Javedanfar, em artigo publicado no britânico Guardian.
"A maior motivação do líder-supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, para seguir com a política nuclear é manter o Irã isolado. Os ultraconservadores do país acreditam que, ao aumentar a ira do Ocidente e estabelecer o isolamento em relação à comunidade internacional, será mais simples acabar com a oposição interna. Além disso, Khamenei acredita que, uma vez alcançada a meta de se tornar potência nuclear, nenhum governo externo ousaria se aventurar a derrubar o regime iraniano", escreve.
Acho válido pontuar alguns sinais óbvios – muitos dos quais se tornaram públicos de uma semana pra cá – das intenções da República Islâmica: 1 - anúncio do lançamento de uma sonda espacial; 2 - manutenção oficial do programa de enriquecimento de urânio; 3 - Ministério da Defesa do Irã informa que em breve o país passará a produzir aeronaves não tripuladas capazes de realizar ataques de alta precisão em Estados vizinhos. Precisa dizer mais alguma coisa?
Confesso que tenho lido as notícias sem qualquer surpresa. Não por ter bola de cristal ou me julgar genial. Longe disso. Mas estava tudo muito claro desde que as conversações começaram há sete anos. Ninguém vai ceder. E quando falo isso não me refiro apenas ao Irã, a parte pressionada a abrir mão da busca por energia atômica. Tampouco me parece provável que EUA e Europa – mais os primeiros que o segundo, pra falar a verdade – abdiquem de suas posições sobre a importância de evitar que Teerã obtenha acesso a material nuclear que lhe permita a produção de armas atômicas.
Não há ingênuos no comando das grandes decisões políticas internacionais. Obama, Sarkozy, Tony Blair, Hillary Clinton e muitos outros sempre souberam das dificuldades de dobrar os iranianos. E este é o ponto principal. Acima de qualquer análise fria sobre o assunto, há uma enorme vontade de se fazer história. Ou melhor, de entrar para a história. O Irã é, neste século, uma linda mulher cheia de personalidade a ser conquistada. Ou um poderoso oponente a ser batido. Escolham a metáfora mais agradável, mas o fato é que todos esses líderes sonharam com a possibilidade de passar para a eternidade como aquele a conseguir levar o governo da República Islâmica à mesa de negociações.
Não haveria glória política maior neste início de século. Talvez encontrar Osama bin Laden fosse vitória semelhante. Mas obter um acordo pacífico com o Irã seria uma conquista política inigualável. E nenhum dos nomes citados conseguiu. Nem haveria possibilidade, sejamos pragmáticos. A explicação dos motivos já foi dada em tantos textos anteriores, mas, para resumir, fico com as palavras de Meir Javedanfar, em artigo publicado no britânico Guardian.
"A maior motivação do líder-supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, para seguir com a política nuclear é manter o Irã isolado. Os ultraconservadores do país acreditam que, ao aumentar a ira do Ocidente e estabelecer o isolamento em relação à comunidade internacional, será mais simples acabar com a oposição interna. Além disso, Khamenei acredita que, uma vez alcançada a meta de se tornar potência nuclear, nenhum governo externo ousaria se aventurar a derrubar o regime iraniano", escreve.
Acho válido pontuar alguns sinais óbvios – muitos dos quais se tornaram públicos de uma semana pra cá – das intenções da República Islâmica: 1 - anúncio do lançamento de uma sonda espacial; 2 - manutenção oficial do programa de enriquecimento de urânio; 3 - Ministério da Defesa do Irã informa que em breve o país passará a produzir aeronaves não tripuladas capazes de realizar ataques de alta precisão em Estados vizinhos. Precisa dizer mais alguma coisa?
