terça-feira, 9 de março de 2010

Bem-vindo ao Oriente Médio, Joe Biden

Além do enviado especial ao Oriente Médio, George Mitchell, chegou hoje à região o vice-presidente americano, Joseph Biden. A viagem de cinco dias é uma grande tentativa de salvar os esforços dos EUA para a retomada do processo de paz entre Israel e os palestinos. Por mais que Washington tenha se apressado em anunciar que os lados toparam voltar a discutir as bases de um acordo definitivo, há muitos entraves para qualquer negociação. O primeiro deles é de natureza prática e mostra como a confiança se perdeu de vez: as conversas serão indiretas, não frente a frente como chegou a ser comum nos anos 1990.

Tudo isso leva a crer que há duas possibilidades reais que não geram nenhuma grande expectativa: ou o processo vai ser longo, demorado e desgastante ou ele não vai dar em nada. É difícil apostar em qualquer uma das possibilidades porque elas são muito semelhantes.

Sob o ponto de vista israelense, negociar com a Autoridade Palestina não necessariamente garante qualquer avanço genuíno, uma vez que os palestinos estão divididos na prática. Na Cisjordânia, o Fatah até consegue manter certo comando. Em Gaza, nem mesmo o Hamas consegue mais controlar tantas facções radicais. Ou seja, se um acordo fosse assinado hoje, por exemplo, não haveria qualquer garantia de que a AP pudesse dar conta de torná-lo legítimo e, mais importante, real.

Vale citar também que setores influentes do comando palestino acreditam que o melhor a ser feito agora seria insuflar uma terceira intifada popular. A defesa desse argumento gira em torno da crença de que a violência poderia pressionar Israel, além de mudar o cenário de divisão interna palestina.

Do ponto de vista palestino, negociar com Israel hoje, sem que o país congele de verdade a construção de assentamentos judeus na Cisjordânia, é perder tempo se desgastando com o inimigo sem qualquer garantia de que pontos fundamentais sejam colocados sobre a mesa: o status de Jerusalém, a questão dos refugiados e as fronteiras viáveis e definitivas de um Estado palestino.

Além disso, os palestinos sabem que não será fácil mudar a mentalidade do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para quem o status de Jerusalém como capital indivisível do Estado judeu é inquestionável e cuja base de sustentação política é formada por partidos cuja ideologia e esta.

Para piorar a situação, é muito claro que o grande temor externo em Israel no momento é o programa nuclear iraniano. Bem ou mal, graças à barreira de segurança construída em torno da Cisjordânia, o número de atentado foi reduzido a zero no último ano. Ou seja, o diálogo com os palestinos deixou de ser a prioridade da política externa israelense. Até esse "favor" o presidente Ahmadinejad prestou ao povo que ele diz tanto apoiar.


É este cenário que Joe Biden vai encontrar no Oriente Médio. Acho que nem toda a sorte do mundo seria capaz de alterar esta realidade instalada em apenas cinco dias. Mas, sem dúvida, mostra um esforço importante do governo Obama numa questão capaz de causar grande comoção na opinião pública de todo o mundo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A diplomacia de Obama ainda não engrenou. Nem por aqui

Existe um enorme paradoxo que rege a atual política externa americana. Se, por um lado, o inegável carisma do presidente Obama sustenta uma boa dose de simpatia mundial aos Estados Unidos, por outro existe uma vaga e cada vez maior sensação de decepção sobre seu governo. Isso explica bastante do fracasso da visita da secretária de Estado, Hillary Clinton, a alguns países latino-americanos na semana passada.

Mas não é só isso. Ainda paira no ar uma aura de messianismo em torno do presidente dos EUA. Isso poderia abrir portas - houve tentativas, como o histórico discurso de aproximação com os muçulmanos realizado no Cairo, no ano passado -, mas o distanciamento de Obama das lideranças mundiais comuns é grande. Talvez não por culpa dele, mas principalmente por causa dos graves problemas internos que vem enfrentando desde que tomou posse.

O fato é que, por exemplo, Barack Obama é admirado por seus pares, mas ainda não conseguiu se aproximar profundamente deles, como identifica com correção o jornalista Jackson Diehl, do Washington Post.

"Até o momento, o presidente (Obama) parece não contar com amigos genuínos no exterior. Neste ponto, ele é oposto a George W. Bush, odiado pelas massas no cenário internacional, mas que construiu laços de proximidade com uma série de outros líderes mundiais", escreve.

Esse é um aspecto curioso da administração Obama, muito embora o que de fato explique seu isolamento internacional é a tentativa de reverter fatos consumados. Por exemplo, a visita da secretária Hillary à América Latina manteve um padrão americano que já não pode mais ser aplicado no continente. Como lembra Michael Shifter, da Foreign Policy, entre a década de 1990 e o início do século 21, havia uma série de Estados fragmentados e dependentes dos EUA. Hoje existe bem ou mal uma tentativa de tomada de decisões conjunta e as economias do sul se encontram num momento infinitamente melhor que o daquela época.

Para completar, a Guerra ao Terror não permitiu a Washington um envolvimento maior com os vizinhos de continente. Assim, além de estar ausente, a Casa Branca não conseguiu realizar uma leitura básica das expectativas latino-americanas. Ou seja, errou na crise de Honduras e, principalmente, no momento escolhido para ratificar o plano de cooperação militar com a Colômbia. Diante do histórico de intervenções americanas, os EUA podiam ter evitado mais este desgaste. Pelo menos neste momento.

A frieza da recepção a Hillary Clinton em Brasília se enquadra neste histórico. Como se pretende representante dos latino-americanos, o Brasil simplesmente reproduziu um temor dos países do continente ao não concordar com as sanções ao Irã. Os países latinos ainda guardam na memória as sucessivas práticas de serem chamados a opinar nos organismos multilaterais apenas quando os desenvolvidos precisam de número para aprovar suas próprias decisões políticas.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O sul do Cáucaso em pé de guerra

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA aprovou ontem, por 23 votos a 22, que o país passe oficialmente a se referir como genocídio ao assassinato em massa de 1,5 milhão de armênios pelo Império Otomano, em 1915. O episódio ainda é hoje mal digerido pelos turcos, que admitem as mortes, mas se recusam a qualificá-lo como genocídio. A discussão sempre causou polêmica e agora pode provocar uma sucessão de derrotas internacionais para o governo Obama.

O primeiro ponto é óbvio e já vinha sendo comentado nos posts da semana. Como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, a Turquia é vital para as pretensões americanas de impor sanções ao Irã. Como as resoluções precisam da aprovação de pelo menos nove dos 15 países que ocupam assentos não permanentes, se já não havia muitas pretensões sobre a possibilidade de contar com os turcos, agora a posição de Ancara já está decretada. A Turquia ficará ao lado de Brasil e Líbano na oposição à aplicação de sanções ao regime de Ahmadinejad.


Mas a situação é muito pior do que parece. A Turquia é um ator determinante na política do Oriente Médio. Com forças armadas poderosas, o país é um peso importantíssimo para o equilíbrio de poder da região. Até o ano passado, mantinha relações cordiais com Israel, mas a posição turca tem mudado.


Desde a ofensiva israelense em Gaza, o primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, mostra sinais de impaciência com Jerusalém. Além disso - e este é o ponto que mais amedronta Washington -, passou a flertar abertamente com Síria e Irã. Se, de fato, Ancara abandonar o barco de suas relações com o Ocidente e mergulhar de cabeça numa aliança com o chamado grupo de Estados xiitas, aí sim pressionar o regime Khamenei-Ahmadinejad e frear suas pretensões hegemônicas terá se transformado numa tarefa ingrata.


A Turquia hoje se debate internamente numa luta político-social vital para seu futuro - a disputa para manter o status laico ou dar uma guinada em direção à interferência da religião nas instituições estatais dividiu o país ao meio. Agora a decisão americana acrescenta um novo elemento no cenário de toda a região. O também muçulmano Azerbaijão saiu em defesa do vizinho e se aproveitou para retomar as discussões sobre o enclave de Nagorno-Karabakh.


Soberano sobre a região, o Azerbaijão esteve em guerra de 1991 a 1994 contra a população etnicamente armênia que vive no foco da disputa. Agora, acredita que o episódio sobre a nomenclatura do genocídio pode desestabilizar o diálogo entre Turquia e Armênia que vinha sendo restabelecido lentamente desde o final do ano passado.
Ou seja, é uma grande oportunidade para colocar um ponto final na disputa. Autoridades do Azerbaijão, inclusive, afirmaram na última semana que estavam dispostas a entrar em guerra contra a Armênia novamente. O cenário para um conflito está armado. Resta saber como EUA e Irã irão se comportar diante disso. Até porque a Turquia é membro da Otan, a aliança militar ocidental. E qual seria a posição do grupo no caso de uma guerra iniciada por Azerbaijão com o apoio de Ancara?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Por que o Brasil está numa posição singular?

Dando continuidade ao assunto discutido ontem por aqui, acho importante dizer que se houver uma franca oposição de interesses entre Brasília e Washington sobre o programa nuclear iraniano, não acredito que o Brasil será isolado pelos Estados Unidos. Ao contrário de Cuba, por exemplo, os índices econômicos e industriais brasileiros não podem ser ignorados. Mas também penso que este não é o objetivo do Itamaraty ao insistir numa suposta - e ilusória - viabilidade de um Oriente Médio onde o Irã se transforme numa potência atômica.

Dos membros rotativos do Conselho de Segurança da ONU, Brasil, Líbano e Turquia são os que têm causado mais dor de cabeça aos EUA. Brasil e Turquia são dois dos principais representantes dos países emergentes, com uma leve vantagem brasileira - por conta de indicadores populacionais e também devido à posição única do país de quase total equidistância em relação aos demais Estados.

"O Brasil mantém boas relações com todos os países. Lula pode ser o único líder a ter abraçado George W. Bush e seu desafeto Hugo Chávez", menciona matéria publicada hoje no Wall Street Journal.

Uma das explicações para a política independente brasileira é essa mesmo. Mas não se trata apenas de fazer amizades. Como escrevi ontem, o pragmatismo pretende se traduzir em vantagens e livre acesso do país aos principais fóruns internacionais, como já vem acontecendo.

Ao se colocar em desacordo com os EUA no desafio mais complexo que a Casa Branca enfrenta no momento, o Itamaraty ao mesmo tempo atinge dois de seus principais objetivos: chama atenção do mundo desenvolvido e se coloca como o principal representante internacional do grupo dos países não alinhados.

Três fatores acabam impulsionando a posição brasileira: a sorte de Lula de essa grande discussão sobre o programa nuclear iraniano ter aparentemente chegado a seu auge justamente quando o Brasil ocupa um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU; a ascensão política e econômica que credencia o país a ser convidado para qualquer fórum internacional; e a ausência de concorrência ao Brasil, já que mesmo os chamados BRICs estão ocupados com questões mais importantes neste momento.
Mais um ponto interessante também foi abordado pela reportagem do WSJ para explicar a posição única brasileira: o Brasil é o único dentre os BRICs que não possui a bomba atômica.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Brasil muda relação com os EUA. Mas todo cuidado é pouco

A visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ao Brasil é um dos eventos mais importantes no calendário anual do Itamaraty. Apesar do clima de urgência cercando o encontro, a ansiedade está unicamente no lado americano. Brasília usa a ocasião para reafirmar ainda mais seu novo poderio como player mundial. Aliás, este é o único objetivo real do governo Lula ao receber a mais importante representante americana. O resto é pura balela.
Enquanto Hillary disse acreditar que o Irã se aproxima de China, Turquia e Brasil para usá-los de forma a furar as sanções a seu programa nuclear, não acredito que o Brasil seja assim tão inocente. Aliás, tenho certeza disso, até porque o pragmatismo brasileiro, ao contrário do que muitos possam pensar sobre este assunto, é muito evidente quando se trata da questão iraniana.
Na verdade, não diria que simplesmente o Irã usa o Brasil. Mas acredito que haja uma simbiose entre os interesses dos dois países. Enquanto, de fato, Teerã busca parceiros internacionais para sobreviver às sanções sem abrir mão de suas ambições nucleares, Lula sabe que a vaga rotativa que o país ocupa no Conselho de Segurança da ONU é um momento-chave para atingir seus próprios objetivos internacionais.
Assim, ao estabelecer parceria com o Irã, o Brasil atrai o foco de todos os atores internacionais envolvidos na tentativa de frear as intenções atômicas da dupla Khamenei-Ahmadinejad. Afinal, mesmo os países com vaga rotativa no Conselho têm direito a voto. Para aprovar as novas sanções contra Teerã, os EUA precisam contar com nove dos 15 membros não permanentes. Ou seja, a ascensão geopolítica brasileira ganha contornos dramáticos para Washington.

Não por acaso, Hillary Clinton e Celso Amorim assinaram hoje em Brasília um acordo prevendo reuniões anuais entre os dois países. É o mesmo tipo de protocolo mantido com a China, por exemplo. O Brasil quer vender caro o apoio aos EUA e a questão iraniana é considerada o maior trunfo que o Itamaraty tem em mãos. E, pelo que parece, o governo Lula não mostra qualquer pudor em usar este poder.

A balança está pendendo para o lado brasileiro. Mas a estratégia pode acabar dando errado caso Brasília demore muito a se aliar com o Ocidente. Como as provas sobre as intenções reais de Khamenei-Ahmadinejad não param de aparecer, existe sim a possibilidade de o Brasil acabar associado ao Irã quando ninguém mais estiver a seu lado. E aí todo o projeto internacional de Lula e Celso Amorim pode ir por água abaixo.

terça-feira, 2 de março de 2010

Irã prende militante sunita para responder a Israel

Acho que vale a pena especular sobre outro episódio que mostra os antecedentes da grande batalha entre sunitas e xiitas no Oriente Médio: a prisão de Abdolmalek Rigi (foto), líder do grupo terrorista sunita Jundallah. O fato ocorreu na semana passada, mas passou totalmente batido por aqui. Curiosamente, ele se conecta ao jogo político em curso na região e foi uma tentativa iraniana de mandar uma mensagem a Israel. É confuso, mas faz sentido.

Primeiro de tudo, Rigi, um jovem de apenas 26 anos, é acusado de planejar um ataque que deixou 42 mortos - incluindo sete militares iranianos - na fronteira entre o Paquistão e a República Islâmica em outubro do ano passado. A região do Sistan-Baluchistão é foco permanente da tensão entre as forças governamentais e militantes sunitas que desafiam inclusive a temida Guarda Revolucionária.

Vale lembrar que 89% da população do país é xiita. Esta informação não é um dado a ser descartado. Pelo contrário. Como líder do eixo xiita no Oriente Médio, o Irã precisava dar uma resposta ao maior movimento sunita recente. Por incrível que pareça, Teerã realizou a operação de captura de Rigi como uma demonstração de força e inteligência para se opor à ação israelense que assassinou o contrabandista de armas do Hamas em Dubai.

As autoridades iranianas tentaram, inclusive, estabelecer uma relação entre Rigi e as potências ocidentais. A imprensa oficial do país noticiou que o jovem teria estado numa base americana no Afeganistão dias antes de ser preso.

"Ele foi preso num voo de Dubai ao Quirguistão. O que aconteceu em Dubai foi um escândalo que mostra o quanto o regime sionista está usando Europa e Estados Unidos para transformar a região num paraíso para os terroristas", disse Heydar Moslehi, ministro da Inteligência Iraniana. Mais claro, impossível.

Os Estados Unidos negaram a acusação, mas é bem possível mesmo que Washington dê apoio logístico ao grupo de Rigi. Afinal, ambos combatem o mesmo inimigo e esta já foi a lógica americana em tantas outras ocasiões.

Falta apenas encaixar os Estados Sunitas nesta história. Pode parecer estranho, mas eles preferem o poderio de Israel a um cenário geopolítico onde o xiita Irã prevaleça como potência hegemônica na região. Para evitar que isso aconteça, Egito, Jordânia e Arábia Saudita até admitem a manutenção do equilíbrio existente graças à força militar israelense.

segunda-feira, 1 de março de 2010

As alianças no xadrez do Oriente Médio

Que Síria e Irã são parceiros de longa data não é novidade para ninguém. Na última semana, seus respectivos líderes trataram de reafirmar esses laços publicamente. De forma curiosa, o xadrez da geopolítica no Oriente Médio está mais claro, com cada um dos lados dando passos ousados na tentativa de cooptar as peças em jogo. E foi este o teatro armado em Damasco na última semana, num encontro entre os "democratas" Mahmoud Ahmadinejad, Bashar Assad, presidente sírio, e o líder do Hezbolah, o xeque Hassan Nasrallah.

Sempre é importante lembrar o cenário que cerca essa grande disputa. De um lado, estão os Estados sunitas - Egito, Jordânia e Arábia Saudita, os mais importantes - e do outro, os xiitas Irã, Síria - que é laico, mas cuja minoria xiita é bem próxima do governo de Damasco - e, principalmente, o grupo terrorista Hezbolah.

O encontro de semana passada recebeu o nome de cúpula da "Jabhat al Mumana", a "Frente da Rejeição". O nome se torna ainda mais significativo porque a reunião ocorreu justamente poucos dias depois do anúncio de Washington de que voltaria a manter uma embaixada na capital síria após cinco anos. Em 2005, quando o ex-primeiro ministro libanês Rafik Hariri foi assassinado, os EUA deram o crédito pelo crime à Síria e, em protesto, retiraram seu embaixador do país.

A Síria decidiu simplesmente tratar o gesto americano como um sinal de derrota. Em nenhuma medida deu sinais de que retribuiria a atitude do governo Obama da maneira como os EUA gostariam: aproximando-se do Ocidente e afrouxando os laços com Mahmoud Ahmadinejad. O resultado foi exatamente o oposto. Bashar Assad tripudiou e fez tudo o que os americanos não queriam. Recebeu o presidente iraniano e o líder do Hezbolah e promoveu a festa das declarações antipacifistas.

"Com a ajuda de Alá, o Oriente Médio estará livre de sionistas e imperialistas", disse Ahmadinejad. Na verdade, não se trata de nenhuma novidade. A única forma de livrar a região dos sionistas é acabar com Israel, plano que o presidente iraniano já repetiu tantas outras vezes ter a intenção de pôr em prática.

O que me parece interessante é a nova tendência do conflito. As alianças serão reforçadas uma a uma antes das disputas políticas e militares.

EUA e Irã brigam pela Síria porque sabem de sua importância estratégica. Além de continuar a traficar mísseis para o Hezbolah no Líbano, é através de suas fronteiras que circulam jihadistas a caminho de combater as forças americanas no Iraque. Curiosamente, mas não pelos mesmos motivos, o Brasil é o próximo foco desta disputa. Estados Unidos e Irã - capitães dos blocos sunita e xiita, respectivamente - travam uma batalha de inteligência por novos e importantes aliados para o jogo de poder a ser decidido em encontros reservados de articulação política ou num combate militar que principalmente Barack Obama faz de tudo para evitar. Ou ao menos adiar.