quinta-feira, 18 de março de 2010

Um rápido balanço sobre a viagem de Lula

Após encerrar sua viagem ao Oriente Médio, curiosamente Lula vai se deparar no Brasil com um problema tradicionalmente associado à região que acabou de visitar: o petróleo. Com a situação pegando fogo por aqui e também por lá, certamente alguns grandes ganhos do presidente brasileiro vão acabar passando despercebidos.

Um rápido balanço do giro brasileiro: Lula manteve sua posição de negociar com o Irã, condenou com firmeza o Holocausto e o terrorismo, mostrou contrariedade à expansão dos assentamentos judaicos, exortou os palestinos a superar as divisões internas e considerou, inclusive, a possibilidade de dialogar com o Hamas.

O fato é que o impasse entre EUA e Israel vai ser discutido sem a presença brasileira, a partir de amanhã, em Moscou. O Quarteto (grupo formado por Estados Unidos, ONU, Rússia e União Europeia) se reúne novamente para tentar salvar o processo de paz.

Mas um grande passo foi dado pelo Brasil, mesmo sem muito alarde. O presidente israelense, Shimon Peres, fez um pedido pessoal a Lula, por quem nutre grande admiração. Como o presidente Sírio, Bashar Assad, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, serão recebidos em Brasília ainda neste ano, Peres sugeriu que o Itamaraty encontre uma maneira de fazer com que ambos os visitantes se reúnam em solo brasileiro.

Sem a menor dúvida, a promoção de uma cúpula entre Síria e Israel seria a maior vitória da diplomacia brasileira até hoje. Além do mais, nem nos melhores sonhos de Lula seu governo teria um encerramento tão grandioso. Para completar, após a realização deste hoje improvável encontro, os membros do Conselho de Segurança da ONU se envergonhariam de não conceder ao Brasil uma vaga permanente no órgão.

Como curiosidade, vale mencionar editorial do The National, jornal dos Emirados Árabes Unidos, sobre a visita de Lula à região:

"Lula pode exercer um papel útil se conseguir convencer o Irã a se submeter às resoluções das Nações Unidas". diz.

Bastante simples, não é?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Brasil pode contribuir com criatividade no Oriente Médio

A busca por maior participação brasileira na mediação das conversações de paz no Oriente Médio tem provocado tantos sentimentos diversos que, às vezes, é fácil se perder diante da quantidade de opiniões. Particularmente, como escrevi ontem, acho que o maior valor do país é justamente sua capacidade de lidar com os diferentes atores. Mas é possível encontrar mais brechas.

Por exemplo, um grande problema prático na região é encontrar uma maneira conectar os dois territórios palestinos. Entre Gaza e Cisjordânia, está a região sul de Israel - que jamais permitiria um ponto de soberania palestina dentro do país.

Talvez, ao regressar ao Brasil, o presidente Lula pudesse organizar uma ampla conferência para discutir este ponto específico. Os funcionários do Itamaraty poderiam se debruçar sobre o tema para buscar soluções novas e criativas para esta questão. Digo isso porque acredito que seja muito pouco produtivo ficar sentado esperando algum dos atores solicitar a nobre mediação brasileira. Aliás, é muito improvável que isso aconteça.

No mundo de hoje, ninguém consegue um lugar ao sol somente se colocando à disposição. Os Estados devem agir da mesma maneira. Seria muito mais lícito retornar ao Oriente Médio com um plano elaborado ou algo a apresentar, além de simplesmente isenção.

Com a ideia pronta, o governo poderia dar o segundo passo: ir em busca de engenheiros dispostos a pensar em como realizar a obra que ligaria Gaza à Cisjordânia. Uma ponte, um túnel ou qualquer outra construção que, seguramente, seria cara o bastante para impedir que os palestinos a financiassem sozinhos.

Certamente, quando se fala sobre a viabilidade de um Estado palestino, a realidade da distância entre os dois territórios é levada em consideração. O próprio presidente Lula gosta de mencionar a necessidade de incentivar empreendimentos. Este seria um caso exemplar e serviria aos interesses brasileiros em pelo menos três frentes: a diplomática, a político-pragmática e a econômica. Não tenho a menor dúvida de que haveria diversas empresas brasileiras dispostas a pensar e executar o projeto.

Lula disse na Cisjordânia que irá consultar os demais parceiros do Mercosul sobre a possibilidade de firmar um acordo de livre comércio com a Autoridade Palestina nos moldes do que o grupo já assinou com Israel. O projeto, se aprovado por israelenses e palestinos, claro, poderia colocar em prática a compra e venda de produtos sem incidência de impostos.

Como costuma repetir o escritor e pacifista israelense Amós Óz, é preciso criatividade para resolver o conflito no Oriente Médio. Acho que ninguém discorda de quanto o Brasil pode contribuir neste ramo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Como o Brasil pode contribuir no Oriente Médio

Os itens complicadores na busca de um acordo entre israelenses e palestinos são: o destino dos refugiados palestinos, os traçados das fronteiras do futuro Estado palestino e a natureza deste futuro país, a reorganização das fronteiras de Israel, e o status de Jerusalém. Tudo isso tem a ver com a visita de Lula à região, por mais que soe estranho num primeiro momento. Na medida em que o Brasil pretende assumir um papel mais relevante no assunto, precisa encontrar algum aspecto em que possa contribuir. E escrevo isso para ratificar o texto de ontem.

Acho que o país pode contribuir com isenção. Esta característica é fundamental para intermediar conversações entre as partes. Contando com o enorme capital de simpatia de que dispõe no cenário internacional e no Oriente Médio, o Brasil pode, sim, ser um interlocutor considerado legítimo. Por isso, penso que manter a equidistância entre Israel e Autoridade Palestina é a única possibilidade viável de atuação.

Muito além de ser um princípio justo a se defender, a isenção mantém o caráter pragmático da diplomacia brasileira. Sem ela, simplesmente o país vai ser descartado de qualquer mesa de negociações. Por que mais um ator seria incluído se ele já estivesse comprometido com um dos lados? Não faria qualquer sentido. É exatamente isso que pensarão os membros do Quarteto (grupo formado por ONU, União Europeia, EUA e Rússia para tocar o processo de paz).

Acredito que a estratégia de aproximação com o Irã tem dois lados. Se, de certa maneira, acaba tornando o Brasil um ator no foco das discussões internacionais, ela pode provocar um revés. O país pode acabar de tal forma identificado com Teerã a ponto de descredibilizar uma eventual participação justamente nas conversações entre Israel e Autoridade Palestina.

Não me parece que, até o momento, o governo brasileiro tenha pensado alguma solução criativa para a situação de impasse entre israelenses e palestinos. Não acredito que o Itamaraty mantenha na manga uma carta capaz de, ao mesmo tempo, tornar possível um Estado palestino desmilitarizado, convencer Israel a retornar às fronteiras de 1967 e definir as questões demográficas que atravancam a assinatura de um acordo definitivo.

É exatamente por tudo isso que o Brasil não pode se arriscar a perder a legitimidade diante de qualquer um dos atores envolvidos. É na isenção que estão depositados todo o valor e as ambições que o país tem a oferecer. Essa é a única plataforma sobre a qual Brasília pode se apoiar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Lula visita Israel em busca de legitimidade

Ao visitar Israel pela primeira vez, marcando também a primeira viagem de um presidente brasileiro ao país, Lula joga a carta da legitimidade na mediação dos conflitos no Oriente Médio. E isso é muito simples: em busca de algum papel de relevância no palco internacional mais prestigiado, seria preciso colocar os pés no Estado Judeu em algum momento.

Como o Brasil se pretende um ator legítimo, é preciso correr atrás de legitimidade mais com ações do que palavras. Em dezembro de 2003, Lula esteve na região e visitou diversos países, inclusive Líbia, Síria e Líbano. Preferiu deixar Israel de fora. Agora, alguns meses depois de receber o presidente iraniano, é chegada a hora de completar o processo. Esta é a única razão da visita. O estreitamento de laços, a expansão do comércio bilateral e a busca por oportunidades econômicas vêm a reboque.

O Itamaraty julga que as 36 horas de Lula em Israel servirão para amenizar as alegações de parcialidade em relação ao Irã, por exemplo. Tudo porque os mediadores atuais do processo acreditam que, se há gente demais querendo palpitar no conflito, não seria necessário acrescentar outro ator já comprometido com uma das partes. Ainda mais se esta parte é o Irã de Ahmadinejad.

Como sempre escrevo por aqui, os Estados não são emocionais, mas entidades empenhadas em buscar seus próprios interesses. E o maior interesse brasileiro é a vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. O conflito entre israelenses e palestinos - e, num cenário mais amplo, a disputa entre Irã e Ocidente - é a maneira mais óbvia de se alcançar este objetivo.

Talvez por isso, ao contrário do que muita gente tem dito, a diplomacia brasileira tenha dado mais sorte ainda pelo momento escolhido para a visita. Justamente quando as relações entre EUA e Israel estão abaladas por conta do anúncio da expansão dos assentamentos na Cisjordânia e da construção de mais moradias para judeus ortodoxos em Jerusalém Oriental. É diante de um cenário de crise que as oportunidades para novos interlocutores podem aparecer. Mas palpitar nos conflitos do Oriente Médio é um direito assegurado para muito poucos.

E a concorrência se mostra ainda maior, já que a Europa pode ter abandonado sua posição inerte. Pela primeira vez, coincidentemente de maneira simultânea a Lula, a chefe da Política Externa da União Europeia, Catherine Ashton, decidiu fazer um tour pela região. E também já tratou de advogar maior relevância no processo de paz entre israelenses e palestinos. Sem a menor dúvida, essa é uma competição desleal para o Brasil, principalmente por conta do histórico dos europeus nos diálogos.

Em discurso ao Knesset, parlamento israelense, Lula fez o que todos imaginavam: criticou os assentamentos judaicos, falou da boa relação entre judeus e árabes no Brasil - uma bobagem, já que a situação por aqui é completamente diferente e ambos os grupos são de cidadãos brasileiros sem qualquer disputa territorial -, e, ponto alto, pediu mais uma vez a reforma das Nações Unidas de forma a tornar a organização mais representativa.

Ainda para completar, Lula teria se recusado a visitar o túmulo de Theodor Herzl, criador do sionismo político. A ausência do presidente brasileiro pode ser interpretada como um recado aos aliados árabes. Não se sabe se foi coincidência, erro de agenda ou se Lula simplesmente se opôs a homenagear o fundador do movimento responsável pela criação de Israel.

A verdade é que a razão do cancelamento é o que menos importa. A ausência de Lula em um dos lugares mais simbólicos de Israel pode ser vista como um recado aos aliados árabes e ao Irã: o presidente brasileiro poderia encarar a existência do Estado Judeu como um fato consumado, mas não concordaria com o escopo ideológico que o criou. Vale lembrar que isso soaria muito bem aos ouvidos de Ahmadinejad e dos demais líderes muçulmanos que não se cansam de tentar difamar o sionismo.

Este pequeno gesto, aliado ao fato de Lula ter confirmado a visita ao mausoléu de Yasser Arafat na Cisjordânia, pode complicar as intenções brasileiras de parecer um interlocutor razoável. Arafat, além de ex-presidente da Autoridade Palestina, é o símbolo máximo do nacionalismo palestino e considerado o pai desta causa. Na prática, se esta agenda se concretizar, Lula terá escolhido prestigiar apenas o nacionalismo palestino em detrimento do judeu. Esta será a interpretação da comunidade internacional.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Estados Unidos e Irã já se desafiam no Afeganistão

Encerrando a semana, alguns dados interessantes sobre a batalha por corações e mentes no Afeganistão. EUA e Irã, os dois atores opostos, fazem um jogo de soma zero nesta questão. Longe de igualar as ambições e comportamentos dos dois, fica claro, no entanto, que cada um usa as armas de que dispõe para limpar a própria barra e acusar o inimigo de boicote às tentativas de impor certa ordem no território afegão.

Enquanto Teerã financia radicais que atuam no Afeganistão para desestabilizar o máximo que puder os ganhos americanos, Washington não fica para trás quando tenta agir indiretamente contra o Irã. No dia 2 de março, escrevi sobre a operação iraniana de captura de Abdulmalik Rigi, líder do grupo terrorista sunita Jundallah.

Algumas informações não contestadas por Washington sinalizam um apoio mais do que velado a Rigi: 24 horas antes de sua captura, ele esteve numa base americana no Afeganistão; portava passaporte e carteira de estudantes falsos; e, para completar, a imprensa asiática dá conta de que ele estaria a caminho de um encontro com um oficial do alto escalão do governo dos EUA em algum ponto da Ásia Central. Nada disso foi negado pelo governo Obama.

Não acredito em inocência política, mas no fato de que os Estados são meramente pragmáticos na busca de seus interesses. Hoje, o Afeganistão é o principal palco do confronto silencioso cujos atores escolhem o melhor momento de partir para um enfrentamento direto. Há ainda a chance de isso não acontecer.

Ontem escrevi que o Irã estaria financiando o Talibã, mesmo que o grupo seja uma expressão radical sunita. A colunista do britânico Guardian Massoumeh Tormeh pensa diferente.

"Os iranianos consideram os talibãs islâmicos wahabistas financiados pelos sauditas. Por isso, Teerã prefere investir nos radicais ao mesmo tempo antiamericanos e antitalibãs", diz.

Eu acredito mesmo que o Irã pode ajudar todos ao mesmo tempo, sempre com o objetivo de desestabilizar o país. Por outro lado, a República Islâmica age com cuidado, já que o caos total no maior produtor de ópio do planeta pode complicar ainda mais a desgastante luta iraniana contra os traficantes de drogas que usam o Irã como um dos principais centros de distribuição para a Europa.

O interesse iraniano no Afeganistão se concentra na região oeste do país, em Herat, densamente povoada pelos xiitas. É uma maneira de manter um pé no vizinho. A influência certamente será usada no caso de um ataque israelense apoiado pelos EUA. Se isso acontecer, todo o esforço americano de reorganizar o Afeganistão terá sido em vão e o país vai se dividir de acordo com suas etnias e fidelidades religiosas. O Irã espera se aproveitar disso.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ahmadinejad vai ao Afeganistão e Karzai faz papel de bobo

Interessante ver como o jogo geopolítico está tomando forma no Oriente Médio. O conflito entre israelenses e palestinos é apenas uma batalha da grande guerra em curso. Nesta semana, além da visita do vice-presidente, Joseph Biden, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, foi protagonista de um fato curioso na região. Ele e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, estiveram no Afeganistão. Na quarta-feira, ambos estavam no país, mas em lugares diferentes.

A situação atípica levantou uma série de boatos, inclusive de que negociariam com o presidente afegão, Hamid Karzai, um acordo tríplice – possibilidade já negada formalmente pela Casa Branca.

Irã e Estados Unidos estão em franca disputa diplomática. A visita de Ahmadinejad pode ser interpretada como uma provocação a Washington.
Aliás, se bem ou mal Ahmadinejad mostra certa coerência quando discursa no exterior e mantém suas posições radicais, o mesmo não se aplica a Hamid Karzai. Ele nem sequer argumentou ou contestou o presidente iraniano quando este afirmou, em solo afegão, que os esforços americanos no país irão falhar.

Ora, o raciocínio não é muito difícil neste caso. Se os EUA falharem no Afeganistão, o Talibã retoma o poder e o próprio Karzai é destituído do cargo. Para ser claro, é muito provável que, imaginando um cenário de derrota americana e fuga da coalizão ocidental, Karzai seja morto pelos radicais.

A ansiedade iraniana por assistir a uma vitória talibã mostra também um dado importante. Ao contrário do que suas lideranças costumam afirmar, a política externa do país está longe de ser baseada em preceitos ideológicos de resistência cultural, religiosa, econômica ou qualquer que seja. A atuação no Afeganistão revela bem o realismo que cerca as decisões de Teerã.

O Irã apoia logisticamente o Talibã, grupo radical sunita – ao contrário do Irã, xiita –, deixando claro que o objetivo final do país é se tornar a potência hegemônica regional e obter legitimidade no mundo muçulmano como o país que detém a capacidade de desafiar o ocidente. Para isso vale até apoiar e transferir armamento para os sunitas do Talibã e do Hamas.

O único que fez papel de bobo nisso tudo foi o presidente afegão. Além de servir de “escada” para Ahmadinejad, ficando em cima do muro, ele acredita que poderá receber apoio dos dois lados. Mas cedo ou tarde ele será chamado a fazer sua escolha. Aliás, no caso desta figura em particular, a escolha é apenas pessoal, já que o comando do país, pelo menos por ora, ainda depende dos resultados da disputa entre seus inimigos talibãs e da coalizão ocidental - responsável mesmo por inventá-lo como líder político do Afeganistão.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Apesar das novidades, nada muda no Oriente Médio

A enorme repercussão causada pela autorização concedida por Israel para construir casas e apartamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia mostra como a situação do conflito entre israelenses e palestinos é única. A situação da política de Israel é única. A responsabilidade para justificar o constrangimento causado pelo anúncio justamente durante a visita do vice-presidente americano ficou a cargo do ministro do Interior, Eli Yishai (foto).

Antes de entrar no mérito da questão, cabe refletir sobre um ponto interessante que mostra a complexidade da vida política israelense. Uma posição fundamental da política externa acabou ficando sob responsabilidade não do ministro das Relações Exteriores ou mesmo do primeiro-ministro, como poderia ter ocorrido diante das consequências de tal decisão.

Pode não parecer importante, mas serve para mostrar as dificuldades envolvidas. Em Israel, há uma linha muito tênue - e muitas vezes invisível - entre política interna e externa. Tudo pode servir de material combustível.

Seja como for, a construção de casas na Cisjordânia é bastante imprópria. Mais ainda neste momento. De certa maneira, curiosamente alimenta os dois extremos. A direita israelense - muito pouco preocupada em retomar as negociações de paz - e os extremistas palestinos - que andam ventilanto a possibilidade de uma terceira intifada para atingir Israel e de uma vez só corrigir momentaneamente a profunda divisão interna palestina.

Os empreendimentos no assentamento de Beitar Illit foram aprovados em novembro do ano passado, antes de o governo de Israel impor a proibição a novas construções judaicas na Cisjordânia.

O que fica claro no momento é que o rumo das negociações segue o caminho de sempre: Israel e Autoridade Palestina tentam culpar o lado oposto pelo fracasso do processo de paz. É uma tentativa um tanto pouco criativa de conseguir a simpatia americana. Como disse ontem, infelizmente, a situação não deve mudar tão cedo.