sexta-feira, 9 de abril de 2010

EUA e Rússia perdem com confusão no Quirguistão. Mas não muito

Enquanto EUA e Rússia se desdobram em esforços diplomáticos para capitalizar com a assinatura do novo acordo de redução de armas estratégicas, os acontecimentos no Quirguistão tratam de jogar lama nos dois países, como escrevi ontem. A imprensa internacional não demorou a relacionar o silêncio americano quanto as práticas do governo Bakiyev, os interesses russos para fechar a base americana e o leilão entre ambos promovidos pelo presidente quirguiz. Ou seja, a tentativa de controlar a situação foi um fracasso. Resta saber agora quais serão as consequências disso a longo prazo.

Particularmente, acho que Washington e Moscou podem ficar tranquilos. Ressaltar que a Casa Branca faz acordos pragmáticos mesmo com governos corruptos e antidemocráticos não muda nada. Torna os Estados Unidos piores aos olhos daqueles países que já não possuem qualquer laço com os americanos. Em relação à Rússia, saber que o Kremlin fez o que pôde para prejudicar os interesses do então presidente Bush na Ásia Central muda quase nada. Talvez seja até um ponto positivo considerando a impopularidade do ex-presidente americano.

Penso, no entanto, que os EUA deveriam fazer algum movimento agora. Ao menos para recuperar parte da coerência perdida. Afinal, a Ásia Central e o Leste Europeu são regiões próximas e estratégicas, não apenas do ponto de vista militar, mas porque é muito claro que Washington pretende ser um parceiro importante das ex-repúblicas soviéticas. Vale lembrar que o país apoiou grandes ondas de reforma popular democrática em Ucrânia e Geórgia, por exemplo. Por isso, penso que não resta qualquer alternativa a Obama neste momento a não ser declarar apoio à opositora e interina no comando do país Roza Otunbayeva.

Aliás, neste ponto a Rússia saiu na frente, tendo sido o primeiro governo a reconhecer as novas lideranças no Quirguistão. É bom que Obama aja rápido. Caso contrário, o silêncio pode soar como apoio velado ao corrupto Kurmanbek Bakiyev.
Em relação a tudo o que tem acontecido no Quirguistão, não creio que este tipo de revolta seja surpreendente. Ou melhor, não tenho bola de cristal e estaria mentindo se escrevesse que estava mesmo à espera de algo do tipo. Até porque pouca gente por aqui costuma acompanhar a política doméstica dos países que não estão em evidência na Ásia Central.

No entanto, acho que é natural este tipo de revolta popular não apenas no Quirguistão, mas em todas as ex-repúblicas soviéticas.

Em primeiro lugar, porque os países se tornaram independentes apenas em 1991. Ou seja, o processo de estabilização nacional ainda está em curso, justamente porque faz muito pouco tempo que existem como entidades autônomas em relação à Rússia. Segundo porque estão localizados numa região que ainda busca acomodação. Não apenas as ex-repúblicas da Ásia Central, mas também no Leste Europeu. Esses recentes Estados ainda procuram se estabelecer baseados em dois grandes dilemas: a explosividade de vizinhos conflituosos - como é o caso dos países da Ásia Central - e a independência política em relação à própria Rússia - relativo aos países da Europa Oriental. Vale lembrar como Moscou costuma reagir mal quando Ucrânia e Geórgia sinalizam qualquer aproximação com o Ocidente.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Até o Quirguistão pode atrapalhar a política externa americana

A revolta no Quirguistão causou tanta surpresa que a imprensa ocidental ainda está um tanto perdida sobre as causas que levaram a população a tomar o palácio presidencial e exigir a renúncia de Kurmanbek Bakiyev. Num primeiro momento, chegou a haver um consenso de que a corrupção do presidente do país seria suficiente para explicar a situação. Depois, rumores sobre insatisfação quanto ao preço cobrado no fornecimento de aquecimento e eletricidade completaram o quadro de justificativas.

Não penso que este ou aquele motivo tenha motivado a revolta popular em curso por lá, mas é bem possível que a união de todos os fatores permita a compreensão do que está acontecendo. O interessante é perceber que ninguém parece estar muito preocupado com isso de fato, mas nas consequências desta confusão para a política externa americana.

De fato, o Quirguistão isoladamente não tem muita importância no sistema internacional. Mas a região onde está localizado é fundamental no tabuleiro de ações geopolítico atual. Qualquer movimento significativo na Ásia Central interessa. A região é hoje um palco tão importante quanto o Oriente Médio.

No entanto, acho um tanto reducionista o caminho que vem sendo escolhido para esclarecer os interesses de Rússia e Estados Unidos no Quirguistão. A simples existência de bases militares das duas potências no país explica apenas em parte a ansiedade americana – mais até do que russa – em relação aos acontecimentos das últimas 24 horas.

Mencionar que a base de Manas instalada no país abastece com munição, alimentos e logística militar as tropas dos EUA e da Otan no Afeganistão é importante. Mas a complexidade é muito maior do que isso. Qualquer movimentação na região é observada com profundo interesse pela equipe internacional de Obama. A Ásia Central é um dos principais – senão o principal – campo de atuação externa do presidente americano. Ao deixar claro que considerava a guerra no Afeganistão justa, Obama acabou por encampar todos os problemas políticos dos países vizinhos.

Por isso ele teve receio ao comentar a aprovação do Congresso do termo “genocídio” para se referir ao assassinato de 1,5 milhão de armênios pelos turcos no início do século 20. A medida pressiona o presidente americano a confrontar não apenas a Turquia, mas também seu aliado Azerbaijão. Da mesma maneira, a aproximação com a Rússia é mais uma tentativa de diminuir oposições na região, uma vez que os Estados Unidos já têm problemas suficientes para resolver em Paquistão e Afeganistão.


O problema é que a crise no Quirguistão expõe mais uma decisão contraditória americana. É bom deixar claro que Obama está pagando por um erro cuja responsabilidade não é sua. Em 2005, Bakiyev chegou ao comando do país através de uma revolução que contou com a cumplicidade americana. Aí sim a base de Manas ocupa um papel central. Por conta do interesse em manter o entreposto, George W. Bush fez vista grossa para a corrupção no governo do presidente do país.
Numa decisão pragmática e controversa, a Casa Branca optou por não se envolver nos assuntos domésticos do Quirguistão. Washington precisava negociar o aluguel da base militar e conseguiu manter o controle de Manas graças a negociações com Bakiyev.

Agora, justamente quando Obama parece conseguir colocar a cabeça pra fora da água em sua estratégia internacional, há a ameaça de a decisão americana de silenciar cinco anos atrás vai voltar à tona. Seguramente, os EUA serão acusados de trabalhar com um padrão ambíguo. Se por um lado exigem eleições limpas, democracia e liberdade para opositores do regime no Irã, o mesmo não se aplica ao Quirguistão. E o presidente americano quer evitar a todo custo este desgaste.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nova diretriz nuclear americana: quase todas as reações são positivas

A nova política nuclear americana é o principal assunto internacional do dia. Não poderia deixar de ser mesmo. Obama foi eleito por prometer mudança, reuniu multidões ainda durante a campanha mesmo ao discursar na Europa e provocou uma onda de otimismo global. Agora, parece que o presidente americano conseguiu finalmente dar um passo concreto, inteligente e que agradou aos progressistas que acreditaram na esperança anunciada por ele.

"Numa época perigosa, ele está tomando importantes decisões para garantir um mundo mais seguro e alavancar a credibilidade de seu país no momento em que busca conter as ambições nucleares de Irã, Coreia do Norte e outros. (...) A administração (Obama) corretamente optou por liderar através do exemplo. Estamos especialmente encorajados pela declaração de que os EUA não irão desenvolver novas ogivas nucleares", elogia editorial de hoje do New York Times.

Barack Obama conseguiu transformar o capital de simpatia internacional que esteve em queda nos últimos meses numa ação prática que seguramente vai lhe render ainda mais popularidade. A Casa Branca acredita que este é o momento de surfar nesta onda e pôr na mesa a carta do líder mundial pacifista que o mundo esperava do presidente americano.

Haverá ainda mais reverberação positiva principalmente durante a próxima semana. Como escrevi ontem, será o maior encontro promovido por um presidente americano desde a fundação das Nações Unidas, em 1945.

Se boa parte do Ocidente reagiu positivamente às novidades de Obama, o mesmo não pode ser dito sobre Mahmoud Ahmadinejad – certamente, um dos principais alvos das medidas. O presidente iraniano optou por desqualificar a experiência do líder americano.

"Políticos materialistas americanos imediatamente recorrem a suas armas como cowboys. Senhor Obama, você é um novato. Espere até que o seu suor seque e você ganhe alguma experiência. Seja cuidadoso e evite ler qualquer jornal colocado diante de si ou repetir qualquer declaração que lhe for recomendada", disse.

Ou seja, pelo o que foi possível compreender desta grande confusão de palavras proferida pelo presidente do Irã, sua estratégia em resposta à diminuição do arsenal nuclear americano segue duas linhas: atacar Obama; e insinuar que ele está sendo manipulado. O discurso de Ahmadinejad ainda se aproveita de velhas teorias da conspiração que garantem haver um plano dos meios de comunicação para manipular o mundo inteiro – e, segundo ele, Obama seria mais um destes enganados.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Obamitologia agora em versão nuclear

O presidente americano, Barack Obama, anuncia uma mudança fundamental em sua política nuclear: a partir de agora, os EUA se comprometem a não usar seu arsenal atômico contra países que estejam em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares. Este é mais um passo da grande estratégia americana para fechar o cerco principalmente ao Irã.

A medida pode ser interpretada pela República Islâmica como um recuo de Washington. Mas uma cláusula, no entanto, mostra que o governo Obama ainda pretende manter o compromisso com seus parceiros históricos; no caso de um ataque nuclear contra os norte-americanos ou qualquer um de seus aliados, os EUA poderão responder como bem entenderem. Ou seja, neste caso, as armas atômicas ainda estarão à disposição.
Não tenho a menor dúvida, no entanto, que a decisão de Obama vai sofrer grandes críticas do Partido Republicano. Principalmente depois de um início de ano desastroso da diplomacia americana no Oriente Médio.
Fica claro, entretanto, que a Casa Branca enxerga a medida como fundamental para deixar ainda mais nítida sua estratégia internacional, já que ela consegue atingir dois grandes objetivos de uma só vez: valoriza as instituições multilaterais - no caso a Agência Internacional de Energia Atômica - mas sem abrir mão da firmeza no trato principalmente com Irã e Coreia do Norte.
Há outro aspecto interessante: alcança um objetivo de campanha e pessoal da carreira política de Obama, já que maximiza ainda mais a percepção de que o atual ocupante da Casa Branca é bem diferente do seu antecessor. A nova diretriz nuclear é comunicada uma semana após o acordo de redução de armas atômicas com a Rússia e uma semana antes do grande encontro sobre este tipo de armamento em Washington.
Na ocasião, Obama irá se reunir com 47 chefes de Estado para debater justamente a segurança nuclear global. Mais uma vez, o líder americano chama para si uma questão de inegável interesse internacional e contribui para a confirmação do mito surgido em torno de sua figura durante a campanha presidencial. Para completar a sensação de vivência da história, esta vai ser a maior reunião promovida por um presidente dos EUA desde a fundação da ONU, há 65 anos.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lições do terrorismo

Nesta segunda-feira, o terrorismo escolheu o Paquistão para atacar. Desta vez, o alvo foi o consulado americano em Peshawar, na região norte do país. Mais cedo, porém, 43 pessoas foram mortas por outro atentado, também no Paquistão. O objetivo, no entanto, não era atingir qualquer símbolo da ocupação americana no vizinho Afeganistão, mas uma passeata do partido da etnia Pashtun. Nas duas últimas semanas, os ataques terroristas têm dado algumas lições ao Ocidente.
Pode soar estranho admitir que homens, mulheres e carros-bomba têm algo a ensinar. No sentido formal de aprendizado, não tem nada mesmo. Os eventos dessas semanas sangrentas servem para mostrar que o terrorismo procura justificativas para agir, mas seus argumentos são completamente evasivos. Qual o sentido de atacar civis numa passeata, por exemplo? Qual a explicação para assassinar pessoas no metrô?
Geralmente, este tipo de acontecimento acaba por ser posteriormente interpretado pelo Ocidente. A imprensa e os analistas vão atrás de explicações para entender a motivação daqueles que cometeram o ataque. A libertação disso e daquilo, a defesa desses e daqueles valores. Costumamos rotular com slogans até bonitos as intenções do terrorismo. Este é um pensamento ocidental ingênuo e admito seguir esta lógica muitas vezes. Precisamos de motivos que sejam capazes de fechar um ciclo lógico. O problema é que este ciclo não existe.
O local onde aconteceu a passeata de hoje no Paquistão fica muito perto de onde outro ataque foi cometido pelo Talibã neste começo de ano. Na ocasião, o alvo era a cerimônia de inauguração de uma escola para meninas.
As duas últimas semanas também servem para derrubar um dos maiores mitos do lugar-comum: a centralidade dos conflitos no Oriente Médio para a existência do terrorismo. A teoria de que o conflito árabe-israelense é maior perturbador da paz mundial é uma dessas verdades absolutas que são repetidas sem pudor. Sempre escrevi que esta questão é apenas uma justificativa para as ações terroristas.
O que tem ocorrido nos últimos 15 dias mostra que este é o caminho menos equivocado a ser seguido. Mesmo que se alcance a solução definitiva, ampla e justa entre israelenses, palestinos e os países árabes, sempre haverá novos motivos para cometer ataques suicidas. Pode ser a luta pela formação do grande Emirado do Cáucaso, pode ser a luta contra o apaziguamento da região norte do Paquistão. E pode ser também uma simples passeata de oposição ou a abertura de uma escola para meninas.
Cabe aos ocidentais o exercício de algumas vezes abrir mão da busca pela explicação desses atos. O terrorismo é simplesmente inaceitável. Nada pode justificar o proposital assassinato de civis para fins políticos, religiosos ou de qualquer natureza.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quarta-feira decisiva na disputa sobre programa nuclear iraniano

Quarta-feira movimentada na disputa entre Irã e o Ocidente. Pelo menos três grandes acontecimentos marcam o dia de hoje como um dos mais importantes da história recente do mais importante jogo internacional do momento. Até o Brasil acabou por entrar nessa. Depois do encontro entre Obama e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Washington, o New York Times levantou a bola de que Celso Amorim teria sido abordado pela secretária de Estado, Hillary Clinton, sobre os investimentos da Petrobras no Irã. Segundo o jornal, a empresa brasileira teria investido cem milhões de dólares em prospecção de petróleo para o Irã no Golfo Pérsico.
Mas este é um fato periférico, na medida em que a Petrobras entra no bolo de companhias que, apesar de terem recebido empréstimos do governo americano, ainda insistiriam em manter parcerias com o Irã. Como o cerco ao programa nuclear de Ahmadinejad e Khamenei está se fechando, a Casa Branca trata de divulgar os resultados do mapeamento que tem feito para descobrir todas as brechas comerciais de Teerã.

Para contra-atacar, a República Islâmica decidiu enviar hoje o negociador chefe dos interesses atômicos do país para a China. Saeed Jalili tem por objetivo convencer os chineses – principais parceiros econômicos dos iranianos – a desistirem de aprovar a nova rodada de sanções que tem sido costurada pelos EUA. O gesto pode ser interpretado como uma resposta ao pedido formal por parte dos oito ministros das Relações Exteriores dos membros do G8 de pressionar o programa nuclear do Irã. Para lembrar, os membros do G8 são: EUA, Canadá, Reino Unido, Rússia, Itália, França, Reino Unido e Alemanha. Não duvidaria que, por interesses econômicos e estratégicos, a China decidisse rever sua posição de aprovar as sanções propostas pelos americanos.

Como é preciso respaldar com dados a posição contrária a Teerã, a Direção Nacional de Inteligência (DNI) – órgão americano que representa as 16 agências de inteligência do país – encaminhou relatório ao Congresso em que reafirma as intenções iranianas de desenvolver armas nucleares, apesar das recorrentes falhas em suas centrífugas. O documento joga mais lenha na fogueira dos conflitos no Oriente Médio ao relatar o crescimento do tráfico de armamento iraniano para o Hezbolah através da Síria.

Esta última informação pode provocar ainda mais complicações para Obama, já que serve como sustentação ao argumento israelense de que não restaria alternativa senão atacar o Irã. Se isso acontecesse, dois objetivos poderiam ser alcançados: frear as ambições nucleares do país, além de interromper ao menos temporariamente o fluxo de equipamentos militares para o Hezbolah.

Para completar, o cientista nuclear iraniano Shahram Amiri desertou para os EUA. Envolvido no programa atômico de Ahmadinejad, ele estava desaparecido desde junho passado. Agora, segundo a ABC News, ajuda os americanos com informações sobre o desenvolvimento nuclear de seu país. Sem a menor dúvida, diante de tantas frentes que foram abertas hoje, uma enxurrada de novos acontecimentos está por vir.

terça-feira, 30 de março de 2010

As ambições políticas por trás dos atentados na Rússia

Uma informação muito importante acabou ficando de fora de boa parte da cobertura sobre os atentados de ontem em Moscou: em novembro de 2007, o líder rebelde checheno, Doku Umarov, proclamou o Emirado Islâmico do Cáucaso. Para bom entendedor, uma clara declaração jihadista convocando as repúblicas islâmicas da região. Uma espécie de microcosmos do embate global entre o fundamentalismo e o Ocidente.

Os resultados começam a aparecer. Some-se a isso também a gestão nada competente de Vladimir Putin e está formado o cenário ideal para a reprodução do extremismo. Em meados desta década, o então presidente russo – atual primeiro-ministro e virtual mandatário do Kremlin – declarou ter pacificado a Chechênia. A seu modo muito particular, é claro, afinal pobreza, desemprego e corrupção estatal continuam a fazer parte do cotidiano da região.

Ou seja, cedo ou tarde a realidade não tardaria a bater à porta de Moscou. Como lembrou uma jornalista russa, foram seis anos de relativa calmaria para os moradores da capital russa, uma ilusão de que os conflitos contra os separatistas muçulmanos haviam sido resolvidos.

É interessante relembrar rapidamente alguns pontos importantes desta região. Guerrilheiros chechenos invadiram o vizinho Daguestão em 1999 com o objetivo de criar uma república islâmica independente. Na época, o então primeiro-ministro Vladimir Putin não mediu esforços – e força – para retaliar. O conflito durou até 2005, e a Rússia recebeu amplo apoio ocidental, já que a disputa acabou por se enquadrar na chamada "Guerra ao Terror" empreendida após os ataques terroristas de 11 de Setembro.

O líder rebelde Shamil Basaev recebeu, por seu lado, franco apoio da al-Qaeda. Seu objetivo pessoal naqueles tempos, tal como o de Umarov hoje, era criar um emirado no norte do Cáucaso que posteriormente se tornaria parte de um califado global. O problema – para o Ocidente, claro – é que ele ficaria localizado justamente na divisa entre a Rússia e a Europa. Além de interromper o fluxo de petróleo entre o Mar Cáspio e o lucrativo mercado consumidor europeu.

Os fundamentalistas não são nada bobos. O potencial econômico, político e estratégico da região é enorme. Por isso mesmo, Ayman al Zawahiri, o número dois da al-Qaeda, declarou publicamente que o Cáucaso é uma das três principais frentes de batalha da organização terrorista.