segunda-feira, 9 de março de 2015

A visão do Irã. Por que é tão difícil chegar ao acordo nuclear

Comentei na última semana sobre as questões que unem os distintos campos políticos de Israel sob a máxima de segurança do país – a que estabelece a diretriz de que, regionalmente, nenhum Estado nacional poderia chegar a um estágio de empate no que concerne à capacidade militar. Do lado iraniano, há pouca divergência quanto à questão nuclear. Mesmo a oposição iraniana oficial concorda com o objetivo final de buscar capacidade atômica. Portanto, diante de duas posições tão firmes e opostas na geopolítica do Oriente Médio, o impasse está colocado. E, claro, os EUA sabem disso. 

O que é mais curioso nisso tudo é que a posição iraniana jamais foi secreta. Mesmo assim, o Ocidente está em busca de um acordo com o país, o que leva a crer que de fato imagina que a República Islâmica terá algum acesso à tecnologia nuclear. A ideia parece ser minimizar o uso desta capacidade. Ou ao menos estar por perto para direcionar ou inspecionar. James Jeffrey, do Washington Institute For Near Policy, lembra da posição exposta por Seyed Hossein Mousavian, considerado um moderado aliado ao presidente Hassan Rouhani (ele próprio também considerado um moderado, principalmente quando comparado a seu antecessor Mahmoud Ahmadinejad).

Seyed Hossein Mousavian hoje é acadêmico do Programa de Ciência e Segurança Global de Princeton, uma das mais conceituadas universidades americanas. Foi embaixador do Irã na Alemanha, chefe do Comitê de Relações Exteriores do Conselho Nacional de Segurança do Irã e porta-voz do país nas negociações nucleares com a União Europeia (entre 2003 e 2005). Estes são alguns dos muitos cargos de alto escalão que ocupou ao longo de sua vasta carreira política. Em seu livro The Iranian Nuclear Crisis: A Memoir, expõe sua visão sobre as possibilidades de acordo com os americanos. Em sua visão, qualquer entendimento deveria incluir a retirada das tropas dos EUA de Afeganistão, Iraque e Golfo Pérsico, a interrupção do fornecimento de armas aos Estados do Golfo, o enfraquecimento de Israel e um ordenamento de segurança regional subordinado à dominação iraniana. 

Ou seja, o Irã espera alcançar a partir do acordo nuclear com o Ocidente nada menos do que a hegemonia no Oriente Médio. Isso não surpreende de nenhuma maneira, até porque esta era a visão de Ahmadinejad. A mesmo visão – desta vez exposta pelos chamados moderados iranianos – mostra a dificuldade que é encontrar termos concretos sobre os quais basear um acordo que de fato seja possível de ser alcançado e legitimado pelos demais atores regionais.  

quinta-feira, 5 de março de 2015

As diferenças conceituais entre Israel e EUA sobre o Irã

Ainda sobre as consequências do discurso de Benjamin Netanyahu, há algumas questões que precisam ser esclarecidas. Houve muito mais interesse pela forma do que pelo conteúdo do que Bibi realmente disse. Sobre o conteúdo, há questões relevantes. Por exemplo, uma das grandes insatisfações do governo israelense diz respeito à natureza do acordo com o Irã. Se agora há um bate-boca aberto entre Jerusalém e Washington é porque as duas administrações têm mesmo interesses distintos sobre o programa nuclear iraniano.

Não apenas o governo Netanyahu mas qualquer coalizão em Israel (mesmo de esquerda) irá defender a posição de que o país só estará seguro a partir de garantias de que Teerã não alcançará capacidade nuclear. A posição americana não é essa. Para os EUA, é preciso proteger seus aliados regionais, mas chegar a um comprometimento com o Irã é um passo importante para restaurar relações normais com uma potência regional inimiga há 36 anos. Por mais que John Kerry e Obama digam o contrário, os avanços no diálogo com a República Islâmica são interpretados como passos a caminho da inserção do país no sistema internacional. Isso quer dizer que, para os americanos, o acordo com Teerã continuará a valer a pena mesmo que ele não seja capaz de desmantelar o programa nuclear de vez. Se simbolizar a abertura da possibilidade de diálogo, ainda melhor. 

Para a Casa Branca, “virar a chave” iraniana seria uma grande vitória diplomática que comporia, ao lado da reaproximação com Cuba, o principal legado da administração Obama no campo da política internacional. Reconduzir Cuba e Irã aos trilhos do sistema internacional formal seria restabelecer o imaginário sobre Obama – o mesmo imaginário que deu ao presidente americano o prêmio Nobel da Paz em 2009. Para Israel, no entanto, esta premissa não vale. Como já escrevi muitas vezes por aqui, o principal fio condutor dos aspectos de segurança interna do Estado Judeu é o que determina sua sobrevivência. Na prática, seja qual for o partido à frente do governo israelense, a diretriz internacional do país estabelece que nenhum ator regional pode estar no mesmo nível de capacidade militar do Estado judeu. Certamente o Irã nuclear seria uma ameaça concreta a esta determinação. Ainda mais considerando que se trata de um regime hostil e que nunca desperdiçou oportunidades de repetir o mantra sobre a destruição de Israel.

terça-feira, 3 de março de 2015

O discurso de Benjamin Netanyahu em Washington

Após muita expectativa, Benjamin Netanyahu discursou diante do Congresso americano. Pela terceira vez, é bom lembrar. E, como nas anteriores, houve muito entusiasmo e aplausos por parte dos parlamentares, apesar de toda a polêmica envolvida. Bibi foi aplaudido de pé 26 vezes. Mas, mesmo com este aparente sucesso, as feridas estão abertas. Tampouco há como concluir que o primeiro-ministro tenha sido eficaz em sua tentativa de alertar sobre os perigos de um acordo com o Irã. A administração Obama temia que Netanyahu revelasse detalhes secretos das conversações entre as potências ocidentais e os iranianos. Isso não aconteceu de forma grave, mas o líder israelense expôs uma informação fundamental: um eventual entendimento com os iranianos congelaria a atividade nuclear do país por apenas dez anos. Ou seja, não há possibilidade, pelo menos por ora, de imaginar o desmantelamento total do programa atômico da República Islâmica. 

“Este acordo não evitaria que o Irã obtivesse armas nucleares, mas garantiria (este acesso) – a muitas delas (armas). Este é um acordo ruim. Muito ruim”, disse Netanyahu na frase que deve se transformar na principal marca do discurso. A posição do primeiro-ministro – reafirmada neste pronunciamento – é que qualquer acordo que não inclua o encerramento completo do programa nuclear do Irã é ineficaz. Ou seja, esta posição, absolutamente oposta à de Washington, agrava o distanciamento entre os países, muito embora membros do governo Obama – e o próprio presidente do país – afirmem o contrário. 

Historicamente, o apoio americano a Israel está acima de questões partidárias. Isso quer dizer que, apesar das diferenças políticas entre os dois principais partidos americanos, a aliança com os israelenses não está na pauta de discussões entre republicanos e democratas. Uma das consequência da visita de Netanyahu parece ser, pelo menos neste momento de grande tensão, um intervalo nesta diretriz. Bibi acertou todos os detalhes de sua ida a Washington com os republicanos, especialmente com o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, John Boehner (leia texto do dia 2 de março), o que causou bastante incômodo na Casa Branca. Até agora, o ápice desta polarização partidária envolvendo Israel foi a decisão de 50 parlamentares do partido Democrata de boicotar o discurso do primeiro-ministro israelense. Caso o Likud, legenda de Bibi, volte a vencer as eleições em Israel no próximo dia 17, ninguém sabe quanto tempo irá levar até que os ânimos se assentem e Israel volte a ser um assunto que está acima das discussões partidárias americanas. Esta é sim a questão mais delicada causada pela decisão de Netanyahu de discursar no Congresso e também o maior risco político que decidiu tomar. Bibi certamente não quer ser conhecido como o responsável por isso. 

Por enquanto, a reação oficial do governo Obama é de responder ao discurso dizendo que o líder israelense não ofereceu alternativas políticas viáveis aos EUA para lidar com a questão iraniana. Isso quer dizer que Obama e as demais potências ocidentais não aceitam a posição de Bibi de que a solução seja acabar com o programa nuclear iraniano sem qualquer contrapartida política.  A ideia de Washington é também reafirmar que o objetivo desta rodada de negociação com Teerã não é aumentar o escopo do diálogo com o Irã, mas se limitar às questões atômicas. De qualquer maneira, após o discurso de Bibi, está claro que a polêmica entre Israel e EUA deve continuar por mais tempo – a depender também dos resultados eleitorais em Israel no próximo dia 17.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Netanyahu em Washington e a principal crise política entre EUA e Israel

Não há inocentes na política. Repito isso com alguma frequência por aqui porque nunca considero exagerado ter isso em mente ao buscar analisar os eventos. E a visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a Washington é uma dessas ocasiões. É como assistir a um jogo da primeira divisão da grande política internacional. E este é um lugar que não permite amadores. Esta é uma disputa envolvendo EUA, Israel, Rússia, China, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Irã. É fundamental ter essas informações claras antes de tentar entender o que está se passando. 

Netanyahu foi convidado para discursar diante do Congresso americano. Houve muito atrito e polêmica entre o primeiro-ministro israelense e o governo americano sobre sua ida a Washington. A Casa Branca não queria que Bibi discursasse justamente porque, simultaneamente, busca um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Enquanto Bibi discursa em Washington, o secretário de Estado, John Kerry, está em Montreux, na Suíça, tentando obter a maior vitória diplomática do governo Obama no Oriente Médio. Após idas e vindas desde 2007, este é o momento mais favorável aos americanos na complicada relação com os iranianos. Assistir ao discurso de Netanyahu na companhia do ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, é constrangedor e, dependendo das consequências, dramático. Os americanos estão na Suíça se arriscando diplomaticamente porque acreditam nos grandes benefícios práticos e políticos de investir num acordo com Teerã. Kerry negocia também em nome do grupo mais amplo de diálogo com Teerã: Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha. Esses países estabeleceram o próximo mês de junho como o prazo final para o entendimento definitivo sobre o programa nuclear. 

Israel também está assumindo riscos. Benjamin Netanyahu está ao lado do presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, John Boehner. O republicano é o maior adversário político do presidente Obama. E não é segredo a ninguém que Bibi e Obama mantêm péssimo relacionamento. Em política, apesar da máxima de que todo mundo usa todo mundo, Bibi está aumentando o atrito com o principal aliado do país num momento histórico de profundo isolamento político de Israel. Do lado do Irã, a situação não poderia ser melhor; aguarda os resultados enquanto assiste à pior crise política entre Israel e EUA. Houve boatos inclusive de que membros do governo americano teriam dito em off que os caças do país no Oriente Médio iriam abater os aviões da força aérea de Israel a caminho de um eventual ataque às instalações nucleares iranianas. O boato foi prontamente negado, claro, mas dá ideia da gravidade da situação. Não é demais lembrar também que no próximo dia 17 de março  ocorrem as eleições em Israel. A coalizão de Bibi tem como foco a segurança nacional. Mas não deixa de ser uma aposta alta demais entrar em choque com seu principal aliado no mundo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

As reivindicações dos curdos e as contradições na Síria

Escrevi no último post sobre a delicada situação das minorias diante da onda de selvageria promovida pelo Estado Islâmico. Os curdos têm combatido o grupo diretamente e estão mesmo na linha de frente desta batalha. Curdos sírios e iraquianos igualmente. Em algum momento, quando a poeira baixar, é provável que todos os envolvidos precisem se sentar para negociar os termos finais. É claro que ninguém se compromete militarmente num conflito de tamanha violência se não houver algo a conquistar. As minorias do Oriente Médio lutam pela sobrevivência, mas também esperam que, a partir da disponibilidade apresentada agora, possam obter ganhos significativos a suas demandas históricas. 

Nada disso é mais evidente do que no caso dos curdos, que reivindicam a criação de um Estado nacional desde o fim do Império Otomano, ao término da Primeira Guerra Mundial, e somam cerca de 25 milhões de pessoas – 90% dos quais vivem no chamado Curdistão, região que se espalha pelos territórios de Turquia, Síria, Azerbaijão, Irã e Iraque. Na esteira do conflito atual com o EI e da guerra civil síria, certamente os curdos esperam que suas demandas sejam atendidas. Como apoiam militarmente a ofensiva que combate o EI, é inevitável que coloquem suas reivindicações sobre a mesa de negociações após este processo de reorganização regional. 

A guerra civil síria é fundamental neste cenário. Como venho escrevendo por aqui, é improvável a manutenção geopolítica do Estado sírio tal como o conhecemos. Há elementos demais em ação no país, grupos terroristas de diversas denominações, além do próprio presidente, Bashar al-Assad (ele mesmo membro da minoria alauita, cerca de 12% da população do país). Uma pesquisa conduzida pelo Centro Sírio de Justiça e Prestação de Contas, no entanto, mostra que a maior parte dos entrevistados – mesmo os que estão de lados opostos na guerra civil – é contrária à divisão do país. O problema é que essa mesma pesquisa também aponta pouca possibilidade de diálogo, uma vez que a maioria dos sírios rejeita soluções baseadas num acordo amplo e espera que os representantes de suas próprias filiações políticas, étnicas ou religiosas prevaleçam militarmente sobre a oposição. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A luta das minorias diante do Estado Islâmico

O Estado Islâmico pode estar a caminho de cometer mais uma de suas atrocidades. Nesta terça-feira, sequestrou 90 cristãos assírios no nordeste da Síria. É sempre uma incógnita o que o EI planeja fazer. Pode muito bem matar de maneira bárbara os reféns – o grupo se refere aos cristãos como “cruzados” – ou considerar a possibilidade de usá-los como moeda de troca em alguma negociação pela libertação de terroristas. Muito embora a decisão selvagem de queimar numa jaula o piloto jordaniano no mês passado seja a imagem mais recente do tratamento destinado a reféns, o EI já se envolveu em trocas de prisioneiros no passado. 

Sobre o rapto dos cristãos assírios é importante fazer algumas observações; a província de Hassake, no nordeste da Síria, era o lar para a maior parte dos 30 mil cristãos do país até 2011, quando a guerra civil eclodiu, causando a fuga de milhões de pessoas. Os assírios estão presentes também no Iraque, muito embora o número de cristãos no Oriente Médio esteja diminuindo bastante em função do fundamentalismo islâmico. 

A situação dos cristãos é similar a de muitos grupos minoritários na região. Esta guerra na Síria e o conflito ideológico e militar com o EI está também relacionado ao futuro das minorias no Oriente Médio. É o caso dos curdos, por exemplo. Ao contrário dos cristãos, no entanto, os curdos têm capacidade militar para enfrentar o Estado Islâmico e hoje exercem papel fundamental na linha de contenção aos avanços do grupo. No último domingo, a YPG, sigla da principal milícia curda síria, foi responsável por duas grandes ofensivas ao EI no nordeste da Síria. Esta região é o epicentro do confronto militar e graças a curdos da Síria e do Iraque – e, claro, ao apoio dos ataques aéreos das forças americanas – o EI encontra dificuldades para ampliar seus domínios. 

Os combatentes curdos do norte do Iraque também enfrentam o EI. Conhecidos como Peshmerga (cuja tradução é “aqueles que encaram a morte”), têm um efetivo de cerca de 190 mil militantes e, desde a queda do Império Otomano após a Primeira Guerra Mundial, estão organizados como as forças armadas curdas. Curdos, cristãos e yazidis têm muito a perder com a viralização da luta do Estado Islâmico. Na esteira dos acontecimentos no Oriente Médio, o destino das minorias está em jogo. E isso quer dizer, de maneira um tanto dramática, que o resultado desta sangrenta reorganização regional irá determinar a sobrevivência destes grupos minoritários. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Egito e Itália em alerta contra o Estado Islâmico

Com o Oriente Médio em alerta, novos personagens tendem a surgir e ganhar importância. O novo Egito pós-primavera árabe tenta se colocar à frente da aliança ocidental para combater a presença do Estado Islâmico no Norte da África. O mais recente episódio de barbárie promovida pelo grupo – quando cortou as cabeças de 21 egípcios cristãos coptas, na Líbia – lançou luz sobre o presidente Abdel Fattah al-Sissi, o general que derrubou o ex-presidente Mohamed Mursi (da Irmandade Muçulmana). Al-Sissi não perdeu tempo e determinou ataques aéreos à Líbia, chamando a atenção para a presença do EI no norte da África. 

O fracasso do Estado líbio desde a queda de Kadafi em 2011 transformou o país num grande retalho de facções e alianças ideológicas das mais diversas; a al-Qaeda participou do processo que culminou com a queda do ex-ditador, uma vez que a falência dos Estados sempre representa oportunidade valiosa de estabelecimento de bases e pilhagem de bens militares e econômicos. O problema (para a al-Qaeda) é que o Estado Islâmico cada vez mais tem o protagonismo do terrorismo internacional. Para os Estados Nacionais, o EI é hoje o inimigo a ser derrotado. No caso específico da Líbia, é possível que o Ocidente de fato se mobilize para fazer algo mais concreto, talvez até mesmo envolvendo a Otan, a aliança militar ocidental. Lembrando que uma das diretrizes fundamentais da Otan é exigir de seus membros resposta militar quando um deles é ameaçado. Nunca esta prerrogativa foi tão verdadeira no que diz respeito ao EI, considerando, principalmente, que Líbia e Itália estão separadas por apenas 800km das águas do Mediterrâneo. 

Diante disso, em entrevista ao jornal italiano Il Messagero, a ministra da Defesa da Itália, Roberta Pinotti, já começou a preparar o terreno ao afirmar que, por razões “geográficas, econômicas e históricas”, seu país está pronto para liderar uma coalizão de países europeus e do norte da África que impeça o avanço dos terroristas. Esta é a mesma posição do presidente egípcio al-Sissi. Itália e Egito têm razões de sobra para temer a proximidade do EI. Mas al-Sissi, além dos motivos óbvios, ainda teme pelo seu governo. Não apenas porque o EI se opõe a qualquer governo, mas também porque al-Sissi derrubou a Irmandade Muçulmana num golpe de Estado. Além disso, parte do território egípcio já está tomado pelos terroristas do grupo; na Península do Sinai, o grupo terrorista Ansar Beit al-Maqdis, ex-aliado da al-Qaeda, declarou a região como província do Estado Islâmico.