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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A breve paz que invadiu meu coração

Por Henry Galsky

Foram apenas quatro dias. No entanto, este pequeno intervalo de tempo incapaz de ser classficado nas mínimas divisões temporais (nem chega a uma semana) serviu para me esclarecer bastante. Cercado pela natureza, longe dos telefones celulares e dos computadores, mas muito perto do que há mais de significativo: amizade e a confortável sensação de estar envolto num mundo seguro. Um mundo sem violência, conflitos, competição, inveja e tudo o mais que deveria ser banido da vida humana.

Assim foi o meu pequeno recesso de reveillón. Como de costume, passei ao lado de meu tradicional grupo de amigos. Nem todos estavam lá, é claro. Mas parte importante de meu ciclo de amizades que, felizmente, costuma organizar as viagens conjuntas de fim de ano. O local escolhido para este encontro foi um sítio em Albuquerque, bairro afastado de Teresópolis.

Longe de tudo, pude mais uma vez comprovar a teoria de que a riqueza da vida está na simplicidade e nas relações desinteressadas (no que esta palavra compreende de melhor) com as pessoas.

Ao lado da piscina, durante as refeições coletivas, ao sentir o primeiro respiro da noite, a sensação era de... pena. Pena por quatro dias como aqueles serem simplesmente a exceção, a curva fora da reta burocrática em que nossas vidas se enquadram desgraçadamente ao longo de quase todo o ano.

Observar um céu estrelado deveria ser regra, não motivo de comemoração embasbacada. Da mesma forma, temos sim o direito de torcer para que o dia se arraste saudável e preguiçosamente. Mas, ao contrário, contamos os segundos para que ele voe diante de nossos olhos preocupados com ansiedades que, daqui a alguns bons anos, perceberemos inúteis e insalubres.

O corpo pede um pouco mais de calma. E é por isso que meu coração é invadido pela enorme tristeza de constatar que estamos à deriva, na dependência de um punhado de dias de folga e da força de vontade de amigos que compartilham deste sentimento.

Se houver um paraíso, ele deve estar diluído por esta tranqüilidade, por esta paz de espírito, pelo enorme e infinito amor que emana de meus amigos. E eu sou um privilegiado de estar cercado por essas pessoas.