segunda-feira, 28 de abril de 2014

A nova estratégia americana

Sei que os leitores vão entender minha ausência nesses dias. Eu também precisava de férias. Mas estou de volta – o que é mais importante neste período conturbado. Aliás, antes de entrar no assunto, acho importante uma reflexão rápida. Um mês depois de meu último texto, a problemática internacional permanece a mesma. Os problemas são grandes demais e por isso têm resolução complexa ou o processo é arrastado justamente para soar complexo? Esta é apenas uma das questões. 

Sobre a crise ucraniana – que se transformou numa profunda revisão das relações internacionais e do posicionamento da Rússia com o Ocidente –, a resolução parece distante. O que está cada vez mais claro, no entanto, é a indisposição do presidente americano de se envolver militarmente. Os EUA não querem e não estão interessados em bancar um problema que lhes soa distante e caro demais. 

Mas, ao mesmo tempo, a maior potência mundial não pode se permitir ficar de fora da discussão ou do processo. A alternativa – e que deve ser aplicada como padrão, de certa maneira – é discutir com aliados a elaboração de sanções de naturezas distintas, variando de acordo com a crise em questão. Obama já deixou isso claro em muitas situações e, desde o constrangimento ocidental na Líbia (cujo fracasso em reconstruir o país após a morte de Kadafi é inegável), a ideia de confrontos militares está em baixa como nunca. Nesta segunda-feira, Obama foi muito explícito durante a divulgação de novas sanções ao regime de Vladimir Putin:

“O objetivo é mudar seu cálculo (de Putin) em relação a como as ações atuais em que está se envolvendo podem ter impacto negativo na economia russa a longo prazo. (...) (não entendo como) todo mundo está tão ansioso para usar a força militar logo depois de atravessarmos uma década de guerra com enormes custos às nossas tropas e ao nosso orçamento”. 

É claro que não há novidade alguma nisso. Mas o fato de o presidente americano expor a situação desta maneira deixa evidente que há uma nova linha de construção de estratégia internacional. A ideia é também representar o que pensa a população americana comum, que certamente está mais preocupada com as contas a pagar do que com Ucrânia e Rússia. E, obviamente, ainda se distanciar do partido Republicano. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Claro e Objetivo!!! Por isso leio Carta & Crônica. Luiz Bertolo

Henry Galsky disse...

Grande Luiz Bertolo,
sempre gentil. Obrigado pela leitura, meu amigo.