quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A grande diferença de Obama


Na semana passada, escrevi que não há dúvidas sobre a diferença entre o presidente-candidato Barack Obama e o candidato republicano Mitt Romney. Eu ainda fico perplexo como a disputa nos EUA pode estar virtualmente empatada. Principalmente porque Obama é melhor que Romney conceitualmente e na prática. Estou ansioso para ver o debate entre os dois candidatos porque todos conhecem o poder de argumentação do atual presidente americano. E ele será confrontado com as muitas lacunas de conteúdo de Romney, que, vale lembrar, ainda durante as primárias do partido Republicano passou pela constrangedora situação de ter de admitir ao vivo ter esquecido dos dados que gostaria de citar. 

Dá para imaginar o estrago que pode causar uma atuação de gala do presidente mais cinematográfico desde Kennedy? Pois é. Mas é preciso deixar claro: Obama é melhor em todos sentidos, não apenas no poder de retórica. Obama é o presidente que salvou os EUA da segunda Grande Depressão, estão lembrados? Como bem escreve o colunista do New York Times Nicholas Kristof (que, assim como eu, já escolheu de que lado está na disputa, é bom dizer), Obama assumiu o comando do país no mês que as estatísticas registraram perda de quase 820 mil postos de trabalho, o pior dado registrado em 60 anos. 

Em tempos de discussão sobre “heranças” de governos aqui no Brasil, os americanos sim podem usar com propriedade o termo “herança maldita”. E ele se aplica ao legado da administração George W. Bush. É curioso como a campanha de Romney aponta o dedo para a economia – os analistas acreditam que este é o grande tema das eleições deste ano. E eu concordo com isso –, mas foi justamente o governo republicano que não soube o que fazer durante a crise. E é justamente este o ponto: os republicanos – e ainda mais os membros do partido alinhados ao Tea Party – evitam o máximo que podem ter de fazer qualquer coisa. Sob o ponto de vista conceitual, eles defendem o Estado mínimo justamente por conta dos argumentos que apresentei por aqui na semana passada. 

Exigir de um presidente republicado sustentado política e financeiramente pelo Tea Party que ele tome medidas para resolver a crise é um contrassenso; como defendem com todas as forças a não intervenção a qualquer preço, as medidas para reverter os fracassos econômicos e evitar que a crise tome o país nunca poderiam ser tomadas pelo Estado, mas pelo mercado. E como o mercado não está nem aí para o bem-estar social, para a criação de empregos e para encontrar uma solução para as pessoas, o dilema está sobre a mesa. E é essa a questão-chave desta eleição e que Obama ainda não soube explorar: como os republicanos podem imaginar uma solução para a crise se eles também são contrários a qualquer intervenção do governo na economia? Se foi o mercado que causou a crise, como imaginar que este mesmo mercado teria capacidade e vontade para solucioná-la?

3 comentários:

Ana Clara Fontana Vieira disse...

o Obama é um presidente muito mais midiático do que efetivo. Ele representa uma quebra de paradigmas que significou muita coisa quando foi eleito. Mas seu governo está muito aquém das promessas de campanha... Fica a pergunta...Será que ele merece o segundo mandato?

Henry Galsky disse...

Sim, Ana Clara, ele merece um segundo mandato. Por tudo o que eu escrevi e principalmente pela coragem de tomar medidas importantes no momento mais complicado da vida econômica americana.

Eduardo Vainer disse...

Na verdade, quem esqueceu os dados que gostaria de citar foi o governador do Texas Rick Perry (www.youtube.com/watch?v=ByGf8lP87HU. O governo Obama é, no sentido literal do termo, medíocre. Em uma eleição tão equilibrada, se Romney superar o presidente nos debates, leva. Obama tem pouco o que dizer, além de tentar desqualificar o adversário.Não há espaço mais para aquele discurso vazio tipo "yes we can".