quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O bispo Williamson, o Holocausto e a crise econômica

A questão de bastidores das declarações do bispo Williamson sobre o Holocausto é bem mais profunda do que simplesmente negar a morte de seis milhões de judeus nas câmaras de gás nazistas. O religioso expulso por nossos vizinhos argentinos é contrário mesmo às resoluções do Concílio Vaticano II, cuja aprovação completa 50 anos em 2009.

Além de simplesmente determinar uma série de modificações na prática católica, ele pode ser considerado uma pá de cal oficial em uma visão de mundo retrógrada responsável por inúmeras perseguições em nome da fé.

Menos de três meses após tomar posse como papa, João 23 convocou um concílio internacional de bispos para reformar o catolicismo. O objetivo, segundo sua própria justificativa na época, era resgatar a Igreja da era de trevas e levá-la para o mundo moderno. Chegara o momento de abrir as janelas e permitir a entrada de novos ares.

Mesmo com a morte do papa em 1963, o concílio continuaria e, dois anos depois, seria encerrado sob o comando de Paulo 6. As modificações aprovadas mudaram profundamente a Igreja romana. A partir daquela data, as missas passaram a ser celebradas no idioma de cada país, não mais em latim; o laicismo passou a ter mais liberdade; e os padres começaram a rezar de frente para os fiéis.

Outra grande mudança – e aí o bispo Williamson volta a ser importante – é que o Concílio Vaticano II determinou o fim da tese do deicídio, ou seja, de que o povo judeu carregaria a eterna culpa e seria mesmo responsável pela morte de Jesus. Não apenas isso, mas ficou estabelecido que o antissemitismo deveria ser combatido.

Uma parcela menor dos católicos, entretanto, negou as resoluções do concílio, chamando-as de hereges e classificando-as como um trabalho do demônio. Williamson comunga dessas ideias e por isso expôs algumas delas na entrevista concedida em janeiro à televisão sueca.

Mas isso está longe de ser um fato isolado. Pesquisa recente conduzida pela Liga Antidifamação (ADL), dos Estados Unidos, mostra que 23% dos europeus de hoje ainda culpam os judeus pela crucificação, acusação que alimentou atos antissemitas ao longo dos séculos.

Para a colunista do Philadelphia Inquirer Trudy Rubin as declarações do bispo não podem ser consideradas como um ato pontual. Para ela, a tendência é que a crise financeira mundial impulsione ainda mais manifestações públicas de antissemitismo.

“Como no passado, crises econômicas globais geram tendências xenófobas, como o antissemitismo, que ainda não conseguimos combater. Eles são sinais de reviravoltas políticas futuras”, escreve.

4 comentários:

fábio balassiano disse...

muito bom o post.
gostei mesmo
continue assim
texto curto, leve, claro e objetivo.

abraços, fábio balassiano

Camilla disse...

é verdade, vide crise de 29, né?
queria entender mais de economia pra saber onde essa crise vai parar. tenho medo...

Eduardo disse...

Excelente texto, está bem elucidativo e contextualiza a declaração do bispo. Parabéns.

Anônimo disse...

crise?a crise e uma invençao !

ja quanto a este bispo deveriam te-lo chutando a muito da Argentina.negar o holocausto e crime.nem contra os judeus apenas mas contra a inteligencia humana.pior cego e o q vê e ainda assim caber de dizer cometer abobrices