terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nas guerras atuais do Oriente Médio, petróleo não explica tudo

O ponto mais obscuro que cerca os esforços de guerra ocidentais em Iraque e Afeganistão é a contratação de empresas de segurança privadas. A Blackwater – que mudou de nome para Xe em fevereiro de 2009 – é a mais conhecida delas. A relação entre seus donos e altas autoridades dos governos envolvidos na ofensiva – principalmente o americano – é de parceria, camaradagem, complacência e acobertamento.

Esqueçam tudo o que é repetido sobre os interesses no petróleo. Além de ser uma explicação reducionista, ignora as muitas possibilidades oferecidas ao se decidir reconstruir (no caso iraquiano) ou iniciar do zero (no caso afegão) a infraestrutura dos dois países. Quando os dados são examinados, a tese de que os EUA estão na região somente em busca de petróleo cai por terra. Das 16 empresas estrangeiras que fecharam contrato para desenvolver campos petrolíferos iraquianos, somente duas são americanas. Mas é importante deixar claro: o setor ainda é o mais lucrativo para as corporações internacionais.

Mas não se pode esquecer de todas as demais áreas. E a segurança privada é uma das mais importantes. O governo iraquiano se prepara para comprar dos EUA 13 bilhões de dólares em armas, treinamento e equipamento militar. As duas guerras atuais representam negócio lucrativo para as dezenas de empresas privadas que pagam bons salários a seus funcionários combatentes. Pode-se dizer que a empreitada militar na região é um exemplo de sucesso da parceria público-privada.

Relatório do Congresso americano revela que hoje há mais soldados freelanceres do que das forças armadas americanas. Somados os contingentes de Iraque e Afeganistão, há 207.600 combatentes privados contra 175 mil oficiais representando o poder regular americano. É uma superioridade que beira os 20%.

Não há qualquer novidade envolvendo a corrupção do governo de Hamid Karzai, no Afeganistão. Agora, no entanto, ele está para comprar uma briga que certamente sairá perdendo. Ele anunciou publicamente a intenção de, até o final deste ano, substituir as empresas privadas pelas tropas afegãs.
"Com (a atuação) dessas companhias privadas, não há qualquer esperança de que as forças de segurança afegãs possam se desenvolver", disse à agência Associated Press.

A intenção do presidente do Afeganistão era decretar o banimento das empresas. E aí ele mexeu com a estrutura lucrativa de todo o empreendimento. A mesma, aliás, que o colocou no poder. A resposta à ameaça de Karzai não tardou a ser dada. Os grandes grupos privados que desenvolvem as obras de infraestrutura no país (construção de rodovias, hidroelétricas, sistemas de irrigação e treinamento de oficiais do governo afegão) declararam que irão interromper os projetos porque não confiam que seus funcionários estariam seguros nas mãos das forças militares afegãs.

Hamid Karzai não é ingênuo ou idealista. Possivelmente, decidiu levar adiante a ameaça por querer ser incluído no processo. Ou aumentar sua participação, não se sabe. Mas todo o caso é um belo exemplo de como funciona o sistema de venda casada no Oriente Médio. O petróleo é apenas mais uma peça do jogo.

4 comentários:

Bruno Ruivo disse...

O petróleo é somente uma peça, mas eu continuo acreditando ser essa a peça decisiva. A indústria das armas é a principal interessada nas guerras, mais uma guerrapode acontecer no Oriente Médio. Como bom marxista, eu evito teorias da conspiração. Acredito nos fenômenos sociais objetivos capazes de convergir em torno de uma postura política que a subjetividade pode direcionar num ou noutro sentido com determinada ênfase. A guerra não poderia ser somente travada por cartéis petrolíferos, mas eles podem investir em "think tanks" e subsidiar políticos dedicados à ideolgia "neo-conservadora" em que o liberalismo bélico é um imperativo moral de violação das integridades nacionais. Há uma certa zona turva em que o extremismo doutrinário se encaixa tão bem com a voracidade financeira que é difícil saber onde termina a vontade cínica de moer vidas em moeda e onde começa a crença religiosa na superioridade moral do "American Jesus" e sua missão messiânica de impor "civilização" aos "bárbaros" do "Oriente". Eu pessoalmente confio na versatilidade do americano em fazer fortuna em cima das desgraças do outro com tanta desenvoltura que é quaseum improviso. Algo do tipo: "já que vai rolar uma tremenda guerra mesmo, vamos investir nessas atividades que sobem na Bolsa em tempos de guerra." Creio que plutocidas como a Blackwater nascem dessa tradição capitalista de farejar lucros opulentes mesmo nos recantos mais sórdidos da barbárie da civilização.

Mas uma vez Henry, parabéns por farejar o "X" da questão nos recantos mais distantes do óbvio. Os melhores "muckrakers" são os que mais fogem do lugar-comum, e você será a Ida Tarbell do século XXI!

Henry Galsky disse...

Você não existe, Bruno! Obrigado, mais uma vez, pelos seus comentários esclarecedores. E mande notícias também.

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Você é um marxista e tanto.