segunda-feira, 6 de abril de 2009

Coreia do Norte abre caminho para aspirantes nucleares

O lançamento do satélite norte-coreano pode até não ter sido um sucesso. Mas a maneira como a primeira crise internacional de Obama foi conduzida pode servir como alerta para os países envolvidos em embates nucleares. Aliás, para alguns deles, como a própria Coreia do Norte e o Irã, o saldo foi muito positivo.

Afinal, o líder King Jong-il ameaçou, protelou o lançamento, fez a festa da mídia ocidental. Mas, no final das contas, conseguiu realizar seu plano de fazer alguma arma – pacífica, ele jura – voar por sobre o território japonês. Não houve qualquer represália. Muito menos militar, nem tampouco uma sanção pra valer no Conselho de Segurança da ONU.

É possível que o tal satélite não seja nada além disso mesmo. Segundo a agência de notícias oficial de Pyongyang, ele já está em orbita reproduzindo espaço afora músicas de exaltação ao regime “popular”. Mas é mera especulação, já que fontes militares americanas e japonesas argumentam que o lançamento não foi bem sucedido. Isso no momento é o que menos importa.

O fato é que o esconde-esconde de Kim Jong-il ainda não foi decifrado, restando aos países da região torcer para que realmente os norte-coreanos não tenham a capacidade de incluir ogivas nucleares no próximo satélite espacial-musical que venham a lançar por aí.

Sim, nada mais há para ser feito. Obama até que tentou levar a questão para as Nações Unidas. Mas uma sanção mais forte foi barrada por Rússia e China, que nada fizeram além de pedir moderação. É como se pouco se importassem com que tipo de armamento o líder norte-coreano pretende desenvolver. Para eles basta a certeza de que essa não será mais uma questão em que os EUA vão se meter. Se Tóquio ou Seul serão os próximos alvos da Coreia do Norte esta não é a preocupação de russos e chineses. Basta somente que Obama não capitalize mais essa.

E tudo isso menos de uma semana após o “reset” de Obama com Medvedev em Londres, no encontro do G20, e a intervenção do presidente americano na crise entre França e China.

Em artigo publicado no The Wall Street Journal, John Bolton, do Instituto de Empreendedorismo dos Estados Unidos, analisa as conseqüências da liberdade norte-coreana para efetuar o lançamento.

“Rússia e China vão concluir que atingir seus objetivos políticos com o novo governo (americano) pode não ser tão difícil. Pode até ser injusto com o novo presidente, mas deixa claro como Moscou e Beijing estruturam sua diplomacia. Por si só, esta já é uma má notícia para Washington e seus aliados”, diz.

2 comentários:

Wilson Maia disse...

Bom texto Sr. Henry
Esse tal de Kim Jong-il é um fanfarrão da pior espécie. Cadeia nele!

Henry Galsky disse...

Obrigado pelo comentário, Tiago!