quarta-feira, 22 de abril de 2009

A eficácia da política externa de Obama

Depois de Ahmadinejad discursar na conferência para debater o racismo, de Kim Jong-il lançar seu foguete com canções comunistas pelo espaço (ele jura que isso aconteceu mesmo), de Daniel Ortega, da Nicarágua, descascar os Estados Unidos durante 50 minutos na Cúpula das Américas, de Obama fazer uma reverência real ao rei da Arábia Saudita, de ser abraçado por Chávez, ufa, o mundo quer saber: qual a doutrina que vai reger a política externa da maior potência do planeta nos próximos quatro anos?

Se por um lado fica claro que Washington tem intenções conciliatórias, não se pode chamar esta característica de modelo de política externa. Até porque ela pode ser apenas uma forma bastante pessoal do novo líder americano de tratar de assuntos tão diversos.

A imprensa dos EUA dá muita importância aos pequenos gestos do presidente. A suposta reverência ao ditador saudita (ainda não está claro se foi intencional ou simplesmente um reflexo), o abraço caloroso em Chávez e o tom de conciliação adotado em relação ao Irã têm sido determinantes na polarização das discussões entre analistas.

A fauna de opiniões é bastante diversa porque tais atitudes são levadas a sério na tentativa de elaborar ao menos uma previsão de como será a política externa americana.

Até o momento sabemos apenas que Obama é o que chamamos por aqui de boa praça. Mesmo assim, as interpretações dos gestos de “boa vontade” do presidente são as mais diversas.

“Suponhamos que Obama obtenha sucesso em criar laços de amizade com Chávez, Castro, Ahmadinejad e o Talibã. E depois? Vamos continuar a ser o ‘guia’ da liberdade para o resto do mundo ou vamos ter nos desgastado em nome de objetivos políticos?”, questiona o escritor Shmuley Boteach.

Ao contrário de Boteach, a colunista do The New York Post Kirsten Powers crê na coerência da cordialidade de Obama mesmo em relação a tradicionais adversários externos.

“Mostrar humildade é uma estratégia inteligente, além de um sinal de boas maneiras. Ninguém gosta de uma pessoa que vai a um jantar e diz que sua casa é mais agradável, seu bairro é mais interessante e sua mulher cozinha melhor. O que leva conservadores a crer que europeus e latino-americanos querem assistir a uma palestra do presidente dos Estados Unidos mostrando como nosso país é perfeito?”, diz.

Acho prematuro diagnosticar qual a estrutura da política externa de Obama. E, mais ainda, penso que é impossível prever se ela vai funcionar ou não. Fica claro que por ora o objetivo do novo presidente é se desvincular o máximo possível da imagem do governo Bush.

Entretanto, a tática que vem sendo usada me parece simplista. Pior; arriscada. Os Estados Unidos dão a entender que a corda pode e deve ser esticada. O problema é que as consequências podem ser catastróficas.

Sobre a eficácia deste modelo que vem sendo apresentado pelo governo Obama, tendo a concordar com Clive Crook, colunista do Financial Times.

“A doutrina de política externa somente é testada quando a cooperação em busca de interesses comuns não consegue atingir resultados”, diz.

Só quando chegarmos a este ponto em questões como Irã e Coreia do Norte, saberemos se Obama está certo e, principalmente, qual a estratégia real dos EUA para superar esses desafios.

2 comentários:

olavo disse...

Fala Henry, eu acredito que a verdadeira demonstração de humildade sempre é uma porta aberta ao entendimento e a fraternidade entre os povos.
abs,
Olavo

Henry Galsky disse...

Legal, Olavo. Obrigado pelo comentário. É muito coerente ao seu comportamento. Parabéns, irmão.