segunda-feira, 20 de abril de 2009

ONU legitima circo do ódio na Suiça

Que a segunda conferência contra o racismo patrocinada pela ONU seria sequestrada não era novidade. A dúvida que fica depois do discurso do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, proferido hoje é: se já é fato que a reunião vai ser usada como palco para bombardear Israel e não para discutir o racismo no mundo, por que realizá-la mesmo assim?

Para ser ainda mais inconveniente, Ahmadinejad destilou suas palavras de ódio justamente no data oficial em que Israel recorda o Holocausto. Nada mais apropriado.

É verdade que várias delegações se retiraram do salão onde o líder fazia seu discurso. Mas e daí? Até quando a ONU vai emprestar seu prestígio para a exposição midiática de ideias absolutamente contrárias a seus princípios?

Não é possível que uma reunião que tinha como objetivo a legítima discussão de propostas para acabar com o racismo seja desvirtuada desta maneira. E é asegunda vez que isso acontece – em 2001, em Durban, na África do Sul, os países árabes e islâmicos se esforçaram ao máximo para incluir no texto final do encontro a equiparação de sionismo a racismo.

O objetivo é de uma hipocrisia indescritível. E é covardia deixar os assuntos verdadeiramente importantes de lado.

No ataque verbal da vez, Ahmadinejad conseguiu ser ainda mais retrógrado ao reeditar as premissas dos Protocolos dos Sábios de Sião, farsa criada para colocar sobre os judeus a culpa por todos os males do planeta.

“O povo iraquiano sofreu grandes perdas... a ação militar não foi preparada pelos sionistas do governo americano em cumplicidade com as empresas fabricantes de armas?”, disse.

É público e notório que Ahmadinejad adota este discurso. Portanto, por que convidá-lo a se manifestar numa conferência sobre racismo? Justamente um líder mundial que preside um regime responsável por execuções públicas, que se cala diante da violência contra as mulheres e que se orgulha de que em seu país simplesmente não existe homossexualismo – como se isso fosse possível.

“É o exemplo perfeito de como as Nações Unidas dão aos maiores violadores dos direitos humanos a oportunidade para que eles se passem por pessoas qualificadas a julgar a moralidade alheia”, diz Gerald. M. Steinberg, diretor do Monitor das ONGs e membro dos departamento de ciências políticas da Universidade Bar-Ilan, em Israel.

Até o momento, quem melhor definiu o circo de horrores que está acontecendo na Suíça foi o professor de Harvard Alan Dershowitz.

“Ahmadinejad está tentando transformar os direitos humanos em erros humanos ao excluir da agenda do encontro mais de metade da humanidade: mulheres, bahais, homossexuais, judeus, não-muçulmanos etc”, disse.  

2 comentários:

Rodrigo Mansur disse...

Mais um texto irrepreensível. Parabéns.

Henry Galsky disse...

Obrigado, Rodrigo. Valeu mesmo.