sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pequenos avanços no diálogo entre turcos e armênios

Hoje é o dia em que o mundo recorda – ou melhor, deveria recordar – o massacre de 1,5 milhão de armênios por turcos-otomanos em 1915. O genocídio é considerado o primeiro do século vinte – repleto de massacres a civis inocentes. Mas o assunto ainda é tabu, principalmente para a Turquia, que se recusa a usar o termo “genocídio”.

 

O momento é especial para tratar do tema. Primeiro porque a Turquia pretende ingressar na União Europeia.

 

Apesar de a mea culpa nacional não ser um pré-requisito para aderir ao bloco, aprender a lidar com este fantasma histórico seria considerado um ato positivo pelos países europeus. Se Alemanha e Áustria (o primeiro mais do que o segundo, é bem verdade) fizeram isso em relação ao Holocausto, por que os turcos também não podem admitir a autoria do massacre?

 

Em segundo lugar, o atual governo Obama enxerga na Turquia um importante aliado muçulmano no combate ao terrorismo. Mais do que isso, os turcos podem ser mediadores fundamentais em negociações com o Irã. Como justificar à opinião pública americana que um de seus principais interlocutores no combate ao fundamentalismo se recusa a admitir um erro tão grave de seu passado?

 

O fato é que esta semana foi marcada pela declaração do ministro das relações exteriores da Turquia de que seu país e a Armênia concordaram em estabelecer um cronograma cujo objetivo final seria a reconciliação plena entre ambos.

 

Numa mostra de humildade fora do comum nas relações internacionais, o presidente da Armênia, Serge Sarkisian, disse que o reconhecimento turco da responsabilidade pelo genocídio de 1915 não é um pré-requisito para o estabelecimento de relações bilaterais.

 

Seja como for, o impasse é maior do que simplesmente admitir crimes passados. A Turquia apoia seu aliado muçulmano Azerbaijão na disputa travada com os armênios pelo território de Nagorno-Karabakh, no Cáucaso. E esse dilmea militar-diplomático ainda está longe de terminar.

 

Pelo visto, a fronteira entre Turquia e Armênia – fechada desde 1927 e há mais tempo do que a fronteira entre Coreia do Sul e Coreia do Norte – deve demorar bastante para ser reaberta.


2 comentários:

Ana disse...

É isso mesmo Henry... não é apenas umas questão de reconhecer ou não o massacre, há muita política e poder por trás disso tudo.

O reconhecimento não veio até hoje (quase 100 anos depois) e acho que não virá tão cedo.

Dezerian disse...

Bom texto. Não podemos esquecer aqueles que sofreram por nós.

Saudações,
Margos Dezerian